População de sardinha quadruplicou desde 2015 e junta-se à recuperação do atum-rabilho e da pescada após medidas de gestão sustentável.
A população de sardinha quadruplicou na última década, enquanto espécies como o atum-rabilho e a pescada também recuperaram de situações de sobrepesca graças a medidas de gestão mais rigorosas, segundo um relatório divulgado pela organização Marine Stewardship Council (MSC), na segunda-feira, 8 de junho.
Os dados são divulgados a propósito do Dia Mundial dos Oceanos e constam do relatório «Fishing for the Future» («Pescar para o Futuro»), que destaca vários exemplos de recuperação de recursos marinhos anteriormente considerados em risco.
De acordo com o documento, a população adulta de sardinha praticamente quadruplicou desde 2015.
O relatório refere ainda a recuperação do atum-rabilho do Atlântico oriental, que esteve próximo do colapso no final do século passado e apresenta atualmente os níveis mais elevados desde a década de 1960.
Segundo a MSC, a recuperação foi possível graças à implementação de um plano de reconstrução assente em regras rigorosas para os países que exploram esta espécie.
Também a pescada, que enfrentava problemas de sobre-exploração nos anos 1990, recuperou para níveis considerados saudáveis após alterações nas regras de gestão, incluindo o aumento da malhagem das redes.
«Os exemplos deste relatório mostram como é possível progredir em contextos distintos quando a ciência, o compromisso político e as partes interessadas trabalham de mãos dadas», afirma Manuel Barange, diretor de Pescas e Aquicultura da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no prefácio do relatório.
A MSC sublinha que estes resultados contrastam com a percepção de muitos portugueses sobre a capacidade de recuperação dos recursos marinhos.
Segundo um estudo da organização, quatro em cada dez portugueses acreditam que as populações de peixes não recuperam depois de terem sido sobre-exploradas.
Apenas 33% dos inquiridos sabem que essas populações podem efetivamente recuperar, enquanto 28% admitem não saber.
O estudo conclui também que 85% dos portugueses sabem que os oceanos cobrem uma área superior à da terra firme e que 71% reconhecem existir atualmente mais sobrepesca do que há 50 anos.
Por outro lado, 58% desconhecem de que oceano provém a maior parte do atum consumido no mundo e 38% não sabem que a zona mais profunda do oceano ultrapassa a altitude do monte Evereste.
As alterações climáticas, a poluição e o declínio das populações de peixes surgem entre as principais preocupações dos cidadãos relativamente ao estado dos oceanos.
O Dia Mundial dos Oceanos é assinalado este ano sob o tema «Áreas Marinhas Protegidas Robustas para o Nosso Planeta Azul» e destaca a importância da criação de uma rede global de áreas marinhas protegidas para restaurar ecossistemas e reforçar a resiliência dos oceanos.
Foto: Bruno Filipe Pires