A Concelhia do Partido Socialista (PS) Lagoa considera «pura hipocrisia» a preocupação que o PSD Lagoa veio a publico demonstrar, sobre o possível fecho da Única – Adega Cooperativa do Algarve.
Em nota enviada às redações, a concelhia do PS diz que «foi com estranheza que viu a publicação do PSD Lagoa sobre a preocupação quanto à possibilidade de a Única – Adega Cooperativa do Algarve vir a fechar portas e quanto às questões colocadas ao executivo socialista sobre as medidas que tomou ou irá tomar para impedir o fecho da mesma, uma vez que o proprietário colocou o imóvel à venda».
«É importante recordar ao PSD Lagoa que, durante quase 30 anos, enquanto foi poder local, nada fez para valorizar o vinho e a vinha, a produção de vinho, atividade marcante dos nossos antepassados, parte da identidade e história de Lagoa, bem como para impedir que o setor vitivinícola no concelho se degradasse, tendo o mesmo estado quase extinto», sublinham os socialistas lagoenses.
Esse «alheamento, por parte do executivo do PSD, a desvalorização, durante décadas, do vinho e da vinha, terá, eventualmente, contribuído para as dificuldades que a Adega Cooperativa de Lagoa enfrentou e que obrigou a sua administração a vender património, o edifício sede, para pagar dividas à banca, a fornecedores e aos seus associados».
Em 2013, recorda o PS Lagoa, «ano em que o executivo socialista chegou à Câmara Municipal de Lagoa, o poder local estava de costa voltadas para a Adega Cooperativa de Lagoa. O vinho e a vinha eram canal história, representado apenas por um grande edifício que guarda inúmeras memórias. Em 2013 existiam apenas três produtores de vinho no concelho. Não havia um único evento dedicado ao vinho e à vinha, realizado pela Câmara Municipal de Lagoa ou com o apoio desta, nem nunca a produção de vinho tinha sido prioridade para o executivo do PSD».
Fez ontem, dia 21 de janeiro de 2025, «10 anos que o executivo socialista lançou o ano temático dedicado Ao Vinho e à Vinha, tendo sido esse o pontapé de saída para o extraordinário trabalho que tem sido desenvolvido, ao longo da década, entre a autarquia e todos aqueles que tem feito uma aposta no sector» vitivinícola.
Hoje, o concelho de Lagoa tem 11 produtores de vinho, «em que mais de metade se dedicam ao enoturismo. Lagoa tem inúmeros vinhos premiados, ao nível nacional e internacional. Tem rótulos de grande qualidade. Tem um evento âncora, o Lagoa Wine Show, também reconhecido. Tem recebido o Concurso de Vinhos do Algarve. Integra a Associação de Municípios Produtores de Vinho (AMPV), sendo a mesma presidida pelo atual presidente Luís Encarnação, em representação do município de Lagoa que e voltou a ter no vinho e na vinha uma das suas bandeiras e produtos de marca».
Assim, resume o PS Lagoa, «graças ao executivo socialista, aos colaboradores do município, bem como à relação de proximidade com a atual administração da adega, o edifício da Única voltou a ter vida, recebeu inúmeros eventos, aos longo dos últimos 10 anos, e aumentou a sua produção. Tal como o fez até aqui, o executivo socialista, liderado por Luís Encarnação, continuará a trabalhar para preservar a identidade de um povo, para preservar a sua história, os seus antepassados, mas, acima de tudo, para preservar e projetar Lagoa, enquanto território vinhateiro».
Em entrevista ao barlavento, e depois de mais uma reunião com a direção da adega, realizada na terça-feira, dia 14 de janeiro, o presidente da Câmara Municipal de Lagoa afirmou que nunca teve conhecimento do negócio que conduziu à situação atual da ÚNICA, com ordem de saída por parte do atual proprietário, que rescindiu o contrato de arrendamento daquele espaço.
Também ao nosso jornal, o autarca lagoense disse que não descarta a possibilidade de o município vir a adquirir o edifício, através do direito de preferência.