EDIA lançou os primeiros concursos para duas novas barragens nas ribeiras de Terges e Cobres e de Carreiras para reforçar a resiliência hídrica do sistema Alqueva.
Os projetos de duas novas barragens que a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) pretende construir nas zonas de Beja e Mértola estão a dar os primeiros passos, revelou hoje o presidente da empresa.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da EDIA, José Pedro Salema, indicou que a empresa pretende construir as barragens «a jusante do sistema Alqueva-Pedrógão», nas ribeiras de Terges e Cobres e de Carreiras, afluentes do Rio Guadiana.
A construção destas duas barragens visa «aumentar a resiliência do sistema Alqueva», estando os projetos contemplados na estratégia nacional «Água que Une», realçou.
A EDIA lançou o concurso público para o projeto de execução e Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da Barragem de Terges e Cobres, nos concelhos de Beja e Mértola, num investimento de 990 mil euros, a que acresce o Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA).
Segundo o procedimento, cujo anúncio foi publicado hoje em Diário da República (DR), a apresentação de propostas decorre até 20 de julho e o prazo de execução do contrato é de 18 meses.
Já em relação ao projeto de execução e EIA da Barragem de Carreiras, no concelho de Mértola, «provavelmente mais um mês e sairá também esse concurso» em DR, revelou o presidente da empresa.
Aludindo ao projeto da Barragem de Terges e Cobres, o responsável assinalou que «o estudo prévio foi feito internamente pela EDIA» e, agora, é preciso definir o melhor dos «três locais pré-estudados» para a construção da infraestrutura.
«Temos que entregar [essa tarefa] a uma equipa de projetistas, que vai estudar em detalhe onde é que faz mais sentido económico, ecológico e hidráulico fazer o muro que vai represar as águas e criar a nova albufeira», salientou.
Normalmente, disse, um projeto de execução e EIA de uma barragem leva «cerca de dois anos de trabalho», enquanto a emissão da Declaração de Impacto Ambiental (DIA) «são mais seis meses».
«Diria que estamos a cerca de dois anos e meio, três anos, de poder ter obra nessas barragens», estimou.
Questionado sobre o investimento previsto para cada uma das barragens, o presidente da EDIA frisou os projetistas é que vão agora «fazer a estimativa orçamental», mas admitiu que será «um número na ordem das dezenas de milhões de euros».
Nas declarações à Lusa, Jose Pedro Salema explicou que as ribeiras «têm água em alguns momentos do inverno, mas, no verão, estão a zero», pelo que a construção destas barragens será importante para assegurar o caudal ecológico do Rio Guadiana.
«Se tivermos estas barragens, que são abaixo de Pedrógão, mas antes do Pomarão, podemos utilizar a água ali represada nos momentos de cheia para assegurar os caudais ecológicos no verão ou quando há menos água, libertando a pressão de Alqueva».
Ou seja, acrescentou, a retenção de água nas barragens permite colocar «o fluxo regularizado durante mais meses» no Guadiana e a que for libertada é aquela que «não se retira de Alqueva», dando «mais resiliência ao sistema».