O Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (Ismat), em Portimão, abre já no inicio do novo ano letivo 2015/2016, em outubro, um mestrado em Psicologia de Saúde Ocupacional, sendo uma resposta única no país.
A formação é dirigida em exclusivo a psicólogos. Profissionais que já trabalham ou que são licenciados nesta área, estando 30 vagas abertas e as inscrições a decorrer.
Ao «barlavento» Marina Carvalha, uma das diretoras do curso, explicou que o mestrado surgiu devido «a uma necessidade de mercado nesta área muito específica, que é reconhecida a nível nacional e internacional há muito tempo», sendo também reconhecida pela Ordem dos Psicólogos como uma vertente recente a emergente.
«A saúde ocupacional já é legislada em Portugal, havendo uma lei de 2009, revista em 2012 e 2014, que estabelece um regime jurídico, no que respeita à proteção da segurança e da saúde no trabalho», esclarece a docente Marina Carvalha.
Por sua vez, no âmbito mais alargado da saúde ocupacional, esta é enfatizada, quer pela legislação em vigor, quer pelos planos que existem e que confirmam a necessidade de avaliar e identificar e modificar riscos psicosociais.
Assim, o Ismat agarrou neste nicho de mercado, «na legislação, no Plano Nacional de Saúde Ocupacional 2013-2017 (que prevê a modificação dos riscos psicosociais em contexto de trabalho), nas recomendações internacionais das boas práticas no trabalho da psicologia da saúde ocupacional e criou esta resposta. Esta é uma vertente da psicologia que dá importância a questões como o assédio, o uso de substâncias aditivas ou a violência no trabalho, temas que são cada vez mais visíveis na sociedade.
Este mestrado pode ter aplicação prática em médias e grandes «empresas ligadas à saúde, mas do ponto de vista organizacional, instituições privadas, públicas, empresas na área dos serviços, hotelaria», sendo este último um setor onde estes riscos aparecem com frequência.
Podem ser desencadeados por diversos fatores como o stress. «O Algarve é uma zona excecional a este nível», considerou a docente. Uma empresa com dimensão menor pode recorrer a serviços externos.
No passado já existiu um curso semelhante, mas foi descontinuado. Este novo mestrado, com um currículo que privilegia a formação especializada, por um corpo docente exclusivo de doutorados, terá um futuro de empregabilidade. Sobretudo, quando comparada com as outras especialidades, «porque não há na maior parte das empresas, instituições, organizações do país, tal como é preconizado pela lei e pelo plano nacional», garantiu Marina Carvalha.
Esta é uma área muito específica que envolve de forma transversal as Psicologias das Organizações e da Saúde, dando resposta às diversas necessidades em contexto de trabalho, contribuindo para a criação de ambientes de trabalho mais saudáveis e qualidade de vida dos trabalhadores.
Segundo o diretor do Ismat Rui Loureiro, este mestrado foi certificado pela AE3S (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior), num processo que demorou perto de nove meses. Este será um impulso para novos alunos, mas também uma continuação da formação que o Ismat já oferece na área da Psicologia.
Esta oferta permitirá que os licenciados complementem a sua formação para que possam exercer a profissão. «O aluno tem que frequentar o primeiro ciclo, inscreve-se por exemplo neste segundo ciclo e depois tem que fazer um estágio profissional, há semelhança do internato na medicina. Só depois pode exercer», resume Marina Carvalha. Esta nova opção de saída profissional tem frequência de dois anos, em regime pós-laboral, composto por um ano curricular e outro, com um estágio e uma investigação.
Crise desencoraja novos alunos
O Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (Ismat), em Portimão, chegou à fasquia dos mil alunos no ano letivo 2008/2009. Contudo, com o início da crise, tal como aconteceu em muitas outras universidades, houve uma perda progressiva de alunos, lamentou Rui Loureiro, diretor do Ismat. Foi uma redução de «20 por cento por ano». No ano letivo passado, registou «uma média de 500 alunos inscritos, ou seja metade do que tínhamos», adiantou. Ainda assim, o Ismat tem todos os cursos abertos e acreditados até 2018 (as avaliações são feitas a cada cinco anos). «Estamos a atravessar a crise, mas temos sobrevivido», confidencia Rui Loureiro ao «barlavento».
Esta academia estudantil funciona em 75 por cento em horário pós-laboral, sendo frequentada na maioria por pessoas que já têm uma vida ativa de trabalho e que aproveitam para completar as suas habilitações. Segundo este responsável, a instituição irá voltar a dar impulso «ao curso de contabilidade no âmbito das duplas licenciaturas». Ou seja, será possível uma pessoa formar-se em gestão de empresas, em três anos, e se frequentar mais um ano, pode também licenciar-se em contabilidade. É que os dois cursos têm em comum dois terços do plano de estudos. E no caso da contabilidade «quase todos os alunos têm emprego, porque há um protocolo com a Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas que reconhece duas disciplinas do curso como equivalentes ao estágio», sublinhou o diretor do Ismat.