Com mais de 30 produções apresentadas ao público, o grupo de teatro Tapete Mágico, «tem sido um exemplo de persistência, ultrapassando todas as contrariedades e obstáculos com que se tem deparado», segundo a professora Ana Cristina Oliveira, que coordena este coletivo juvenil. O grupo funciona como uma estrutura transdisciplinar, que acolhe qualquer aluno do ensino secundário que queira experimentar técnicas performativas. A descontração, a concentração, a memória são capacidades desenvolvidas nos exercícios propostos nas sessões de trabalho. Além de espetáculos relacionados com conteúdos programáticos, o Tapete Mágico tem criado textos ligados às problemáticas que afetam os jovens. Por exemplo, os consumos e os comportamentos de risco, a obsessão pelas tecnologias de informação e comunicação, ou as paixões e amores mal resolvidos. Ao longo dos anos, as apresentações finais das criações do grupo têm ocorrido quer na escola, quer em vários locais da capital algarvia. Verdadeiramente inclusivo, o grupo tem trabalhado com pessoas portadoras de deficiência, na produção «O Meu Soldadinho de Chumbo», em parceria com os utentes da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral (APPC) de Faro. Este ano, a partir de textos criados pelo grupo, com excertos de José Saramago e Vinícios de Morais, o espectáculo «Muros de Nada» derrubou algumas barreiras de intolerância, integrando seniores que habitualmente trabalham com a Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI). Também no átrio do Teatro Lethes esteve patente ao público a exposição «Tapete Mágico – 20 Anos de Resistência Artística», onde se puderam recordar imagens e momentos de espetáculos apresentados um pouco por todo o país, desde 1995. A exposição está patente na Biblioteca da Escola Secundária Pinheiro e Rosa, em Faro, até ao final de abril.