A vigilância das praias portuguesas fora da época balnear será reforçada no próximo ano, num modelo que ainda está a ser revisto, disse hoje o governo.
As praias portuguesas vão ter, no próximo ano, vigilância fora da época balnear para se tentar evitar mortes por afogamento, anunciou hoje a ministra do Ambiente, em Carcavelos.
«Estamos também a rever o modelo para que no próximo ano, fora da época balnear, haja equipas mais flexíveis, mais ao fim de semana, dependendo do estado do tempo, para que haja vigilância durante todo o ano», disse Maria da Graça Carvalho, na cerimónia que assinalou o início oficial da época balnear na Praia de Carcavelos.
Lembrando que este ano ocorreram «mortes fora da época balnear, em praias que não estavam vigiadas», a ministra disse querer «evitar que isso volte a acontecer ou, pelo menos, minimizar» a possibilidade dessa ocorrência.
A ministra salientou que, na questão da vigilância, falou com a presidente da federação dos concessionários de praia, que «está em contacto com todos os concessionários e os nadadores-salvadores» no país, e não existem «problemas neste momento», com «mais praias vigiadas do que o ano passado».
«Temos um total de 740 praias, das quais 605 são vigiadas, estão todas neste momento a correr bem, não têm problemas», referiu Maria da Graça Carvalho, notando que atualmente a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) dispõe do website «InfoÁgua», com a qualidade da água, vigilância e «toda a informação sobre as praias».
«Hoje não há nenhum problema em nenhuma praia do país e, portanto, é um bom dia. Esperemos que o verão decorra deste modo», acrescentou.
A governante explicou que a iniciativa em Carcavelos pretendeu «assinalar o princípio da época balnear», que nas praias costeiras já abriu em todo o país, as mais recentes no dia 14, nas praias mais a norte.
A ministra admitiu que «a questão da qualidade da água é uma preocupação» e que é feito «um grande trabalho, não só na monitorização, como na renaturalização e na qualidade dos rios, porque sem qualidade dos rios» não se têm «boas praias».
Para Maria da Graça Carvalho, o município de Cascais é um exemplo também no dispositivo de segurança balnear, e apelou para que os banhistas «sigam as indicações dos nadadores-salvadores e que não utilizem as praias que não estão vigiadas», pois «ninguém conhece suficientemente bem, sem ser os profissionais, o mar, o rio ou a barragem».
A ministra destacou ainda as intervenções relacionadas com a erosão costeira, através do Fundo de Coesão, com 156 milhões de euros, e com base no qual «já estão adjudicadas e em obra cerca de 77 milhões de euros».
Além da obra na arriba da Praia da Bafureira, em Cascais, em conclusão, «a obra maior é na Figueira da Foz, com mais de 20 milhões» e também em Espinho, em Ílhavo, no Furadouro, mas também «na Costa da Caparica e nas praias de São João», num investimento de «cerca de 10 milhões de euros», enumerou.
«Depois no Algarve há várias obras que estão a começar, o Garrão e Vale de Lobo, Vau, fizemos agora uma operação de emergência na Fuseta, que com uma tempestade em março ficou completamente sem areia e, portanto, num curto espaço de tempo conseguimos repor a areia, mas depois vai ter de ser feito um projeto mais estruturante para que isto não volte a acontecer», acrescentou.
Dois mortos, 14 salvamentos e 58 ações de primeiros socorros nas praias portuguesas em maio é o balanço que a Autoridade Marítima Nacional (AMN) fez do primeiro mês da época balnear de 2025.
Fotos: Maria da Graça Carvalho.
