Marcelo vem conhecer Catamarã eletrosolar algarvio em Vilamoura

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Embarcação de autonomia ilimitada e capacidade de navegação oceânica é atualmente a maior aposta do estaleiro «Sun Concept», de Olhão. Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa estará presente na apresentação mundial, no sábado, 15 de junho.

Foi lançado à água pela primeira vez a 14 de maio, junto à rampa dos estaleiros de Olhão, depois de quase dois anos de um processo de desenvolvimento e inovação complexo, encontrando-se atualmente em fase de produção em série.

«Foi uma operação algo delicada», descer por grua, um barco com 11,9 metros de cumprimento e 5,95 metros de boca, e cerca de 6,5 toneladas, todo equipado e pronto a navegar, segundo conta o diretor comercial da empresa «Sun Concept» João Paulo Bastos.

O catamarã é 100 por cento autossuficiente, tem propulsão eletrosolar e «está configurado numa versão lounge, ideal para a operação marítimo-turística. Tem zonas de estar, algumas com mesas de apoio e um bar completo», descreve.

O cockpit do novo catamarã.

O número de série 01 «já tem armador e foi vendido, quando ainda estava no papel. Um cliente veio cá, atraído pela filosofia da nossa empresa e descreveu-nos as características daquilo que pretendia. Na altura, era o que estávamos a começar a desenvolver. Disse-nos: então, nesse caso, eu quero o primeiro» barco. E assim foi. Em breve, depois da apresentação em Vilamoura irá operar na costa norte do arquipélago da Madeira.

Segundo João Paulo Bastos, o preço começa cerca dos 350 mil euros, versão base e pode ir até cerca dos 500 mil euros, ao qual acresce 23 por cento de IVA, imposto que para já, não beneficia os transportes ecológicos de energias renováveis, nem de imposto de selo.

«No entanto, já tem uma vantagem que é a majoração em 20 por cento do gasto fiscal associado à amortização do valor de compra da embarcação, conforme medidas incluídas no Orçamento do Estado de 2019. Ou seja uma embarcação eletrosolar recupera 120 por cento do valor investido por via das amortizações anuais que são majoradas em 20 por cento», simplifica.

Em comparação com o modelo antecessor, a evolução é um passo de gigante.

«Quando desenhámos o SUNSAILER (o primeiro modelo de embarcação da «Sun Concept»), a solução encontrada, face à evolução tecnológica da altura, centrou-se num barco para 12 pessoas, para águas abrigadas e uma velocidade de cruzeiro relativamente baixa. Depois, com o input do mercado e dos operadores, sobretudo no estrangeiro, percebemos que tinha três condicionantes que deveriam evoluir num próximo projeto. Aumentar a capacidade de 12 para 25 pessoas em certificação CE, mas que neste caso pode ir até às 42 pessoas (configurando uma embarcação para carreiras de passageiros), não restringir a navegação a águas abrigadas e aumentar a velocidade das embarcações».

Em relação à autonomia, «está sempre relacionada com a velocidade. Se o cliente andar a cerca de 5 ou 6 nós, a autonomia é infinita porque aquilo que os painéis produzem é igual ou superior ao que o barco consome», descreve João Paulo Bastos.

Assim, o SUNCONCEPT CAT 12.0, nome técnico do catamarã «é um barco de classe de construção B, que pode fazer navegação costeira. Não é um barco puro de navegação oceânica, não faz uma viagem daqui aos EUA, embora, na verdade, até cumpra com todos os critérios. E poderemos fazer uma versão classe A, sem grandes alterações de fundo, se houver essa procura. Está desenhado para isso. As alterações para cumprir as normas são mínimas, tem a ver com a altura do varandim, os apoios para os pés e a grossura de fibra. Mas o desenho e as prestações cumprem com a classe oceânica».

Mas o que o mercado procurava, de acordo com o responsável comercial era um aumento da velocidade. «Este terá uma velocidade de cruzeiro de 8 nós e uma velocidade máxima de cerca de 12 nós, mais que suficiente para passeio».

SunConcept CAT12.0

Propulsão eletrosolar «é o futuro»

A «Sun Concept» teve de aumentar a escala de produção e aprender com o processo. «Tivemos muitas dificuldades e surpresas surgiram todos os dias. Foi uma aprendizagem difícil», até porque houve atrasos por parte de alguns fornecedores dos principais componentes.

«A construção do barco em si não foi difícil. O que demorou foi a preparação para a construção das peças. A realização dos moldes foi moroso. Adjudicamos a uma empresas externa, em Portugal, que se atrasou um ano.

Também mudou o estilo de construção naval. «O CAT 12.0 é todo feito por infusão, uma das mais avançadas métodos da atualidade para trabalhar a fibra de vidro», uma técnica que existe em Portugal, mas é mais utilizada no fabrico das pás para centrais eólicas. E claro, exigiu muito investimento em maquinaria e consumíveis.

«O nosso objetivo é fazer embarcações em série, claro, com alterações para o cliente, direcionadas para que um cliente em particular quer. A propulsão elétrica é o futuro e nós não queremos saber de motores a combustão», sublinha.

Autonomia infinita

Desde a fundação da empresa, «tudo evoluiu. Mas a verdade é que tem havido uma evolução significativa em todos os campos, nas baterias, nos sistemas de controlo, na escolha de motores, nos carregamentos. Um exemplo simples. Quando fizemos o SUNSAILER, utilizávamos painéis fotovoltaicos de 195 watts. Pesavam 17 quilogramas cada. Neste momento, o catamarã tem painéis de 150 watts com metade da área dos anteriores e pesam apenas 2,1 quilos. São um pouco mais caros, mas justifica-se, considerando a redução do peso total da embarcação e a sua relação com uma maior velocidade», compara o diretor João Paulo Bastos.

O CAT12.0 surge numa altura em que existe a tecnologia para lhe dar vida e forma. «Sem dúvida, mas ainda pode melhorar. O SUNSAILER, que conquistou um prémio de design verde em 2017, estava pensado para usar baterias AGM. Entretanto, o tempo que demorou a construir o catamarã, numa fase final, percebemos que a diferença de preço em relação a baterias de lítio já não é tão significativa. O CAT 12.0 tem 20 baterias de 3,6 kilowatts cada».

Aspeto das baterias de última geração.

Em relação à autonomia, «está sempre relacionada com a velocidade. Se o cliente andar a cerca de 5 ou 6 nós, a autonomia é infinita porque aquilo que os painéis produzem é igual ou superior ao que o barco consome», descreve João Paulo Bastos.

«Se viajarmos a 8 nós, que é a velocidade de cruzeiro ideal, estamos a falar de navegar um dia inteiro e terminar com as baterias a cerca de 40 por cento».

Ouvido pelo «barlavento», Manuel Lázaro Brito, sócio desta empresa de construção naval, revelou o CAT 12.0 é uma embarcação movida exclusivamente a energia solar, que exulta um futuro com respeito pelo planeta e pela sua sustentabilidade. Foi desenvolvida e produzida em Portugal pela Sun Concept, Lda., apresentando-se como o culminar do esforço de investigação, desenvolvimento e trabalho de toda uma equipa de que nos orgulhamos.

Alvo é o segmento premium internacional

Ainda de acordo com o gerente comercial da «Sun Concept», o primeiro CAT 12.0 terá o chão em cortiça portuguesa «Falámos com a Amorim, que nos recomendou uma empresa italiana que fazia o produto final especifico para utilização naval». A verdade é que este tipo de barco irá competir com o mercado dos veleiros.

«É um produto para um segmento premium, para internacionalizar. Uma embarcação que não faz barulho, não é poluente, navega com todo o conforto e segurança, não é para o turismo em massa, de todo. É para um turismo de qualidade. Não quer dizer que não seja utilizada para tal em pequenas carreiras, pois o seu gasto nulo com combustíveis, face ao custo dos combustíveis fósseis é extremamente decisivo numa atividade empresarial», diz.

Segundo a legislação, em classe B, o CAT 12.0 pode ser registado em classe 2, e portanto pode ir até 200 milhas da costa, já em mar alto.

Na verdade, o projeto foi muito estudado em termos de hidrodinâmica. O fabricante algarvio não poupou despesas e encomendou testes e análises, incluindo uma análise e simulação Fluidodinâmica Computacional (CFD) na Suécia.

Um estudo que, por norma, apenas se aplica a navios de grande porte ou iates de ponta, devido a ser muito dispendioso.

Sun Concept CAT12

«Ninguém faz isso para embarcações de recreio. Mas era fundamental porque não podemos falhar», até porque não é possível, tendo em atenção a racionalidade económica e garantir a autonomia ajustada às atividades a desenvolver pela embarcação e garantir uma velocidade cruzeiro suficiente, meter mais potência para corrigir problemas de eficiência do casco, pois tal iria reduzir a autonomia para níveis mais baixos o que não pretendemos».

«A nossa expertise está no desenvolvimento de cascos com grande eficiência e performance face aos baixos consumos energéticos usados. Estamos a dar solução ao paradigma da sustentabilidade, usando o mínimo de recursos obtendo o máximo rendimento, para além disso o recurso energético usado pelas embarcações é sol, energia limpa, renovável e a custo zero.

Tenerife pondera comprar o catamarã algarvio

O novíssimo catamarã eletrosolar poderá vir a ter outras configurações, por exemplo, para transporte de mergulhadores.

Ao que o «barlavento» apurou, uma das intenções de compra vem de Tenerife, nas ilhas Canárias, para servir de apoio ao museu subaquático (Museo Atlántico Underwater Museum) da Playa Blanca, em Lanzarote.

O primeiro modelo da empresa, o SunSailor.

«A proa tem o lounge normal e a popa está preparada para as garrafas e o equipamento. Está em vias de ser vendido», avança. Também poderá dar apoio a explorações de aquacultura, contribuindo para a qualidade do pescado.

Empresa parceira do Projeto Culatra 2030

A «Sun Concept» está comprometida com o projeto Culatra 2030, que pretende tornar aquele núcleo piscatório numa comunidade independente em termos energéticos e sustentável com base em fontes renováveis e amigas do ambiente.

«Penso que este deve ser dos melhores projetos que apareceram aqui na Ria Formosa, para não dizer no Algarve, nos últimos tempos. Somos um dos parceiros desde a fase inicial e vamos dar o nosso melhor para dinamizá-lo ao máximo», garante o gerente comercial João Paulo Bastos ao «barlavento».

«Estamos a trabalhar em conjunto com os mariscadores da Culatra, para desenhar uma embarcação solar de apoio aos viveiros de ostras e ameijoas, à medida do que eles precisam para trabalhar. Será um novo modelo, de 9 por 3 metros, exclusivo para viveiristas. Um monocasco, sustentável. Para nós será uma bandeira. Este barco faz parte da nossa responsabilidade social e acreditamos que será uma mais-valia», diz e explica porquê.

Ilha da Culatra.

«Deixarão de gastar combustível. É menos um custo e isso traduz-se em mais dinheiro que entra nas famílias ao final do ano. Contribuirá para a qualidade da água e isso acrescenta valor aos bivalves produzidos na Culatra», por exemplo, numa futura certificação de viveiro livre de combustíveis fósseis.

Esta «é a nossa parte de intervenção social, de gosto e de tentativa de melhorar alguma coisa aqui na Ria Formosa. E na verdade, não faz sentido, no futuro, haver uma comunidade sustentável com instrumentos de trabalho a motor».

Versão iate de luxo já está encomendado

João Bastos reconhece que «o SUNSAILER agitou um pouco as águas, mas depois, como ao longo destes últimos dois anos nos focámos muito no desenvolvimento e produção do catamarã, a verdade é que nos fechámos muito ao mundo. Mas agora é a altura certa de nos virar-mos para fora. Será como apresentar, de novo, algo que é revolucionário». Durante o Vilamoura Boat Show, o CAT 12.0 vai estar na água, ancorado, para sea trials e viagens de teste.

A seguir a empresa vai construir um novo catamarã, numa versão de cruzeiro, com interiores cuidados. «Terá 160 kilowatts, quatro baterias BMW, gerador para dar um aumento à autonomia, caso o dono queira fazer muitas milhas a navegar de dia e de noite, e terá motores mais potentes. Nos flutuadores terá quartos com visão para fora. Será todo feito por nós», revela o responsável.

Em termos de produção, «neste momento, temos talvez uns 16 orçamentos dados a clientes que virão agora ver, experimentar e decidir. Em produção estamos a terminar alguns SUNSAILER que já estão vendidos a clientes que precisam da embarcações para trabalhar já este verão. Depois, está tudo em aberto».

Em relação à mudança para os novos estaleiros, dentro do perímetro da doca de pesca de Olhão, a parte dos estudos industriais estão a ser desenvolvidos para otimizar as linhas de produção numa perspetiva de futuro sustentável.

Vilamoura International Boat Show decorre de 8 a 16 de junho

De 8 a 16 de Junho, a Marina de Vilamoura volta a receber o Marina de Vilamoura International Boat Show, evento que se realiza desde 1999 na marina da célebre estância algarvia.

O evento irá reunir todas as tipologias de embarcações, novas e semi-novas, no seu meio natural, a água, e em terra, bem como representantes de marcas de acessórios, equipamentos e serviços integrados.

Uma das grandes novidades do Marina de Vilamoura International Boat Show 2019 é a World Premiere do catamarã movido a energia solar da «Sun Concept», o Cat 12.0.

Durante nove dias, este evento abre portas das 11h00 às 21h00 e a entrada é gratuita.

Esta é uma organização da Marina de Vilamoura, co-organizada pela FIL – Feira Internacional de Lisboa