Uma colaboração entre o Algarve e a comunidade autónoma da Andaluzia vai permitir implementar o projeto NumaPlus, com o objetivo de transformar ambas as regiões nas primeiras zonas cardio-seguras do mundo.
O projeto, financiado com mais de 2,9 milhões de euros pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do Programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg Espanha-Portugal (POCTEP), será executado até dezembro de 2026 e visa melhorar a deteção precoce de doenças cardíacas e a resposta a emergências relacionadas com paragens cardiorrespiratórias.
O NumaPlus propõe-se integrar farmácias comunitárias, Centros de Saúde e serviços de emergência para criar um modelo de cuidados unificado e mais eficiente.
O projeto é liderado pela Consejería de Salud y Consumo de Espanha e conta com a participação de nove entidades de Portugal e Espanha, incluindo a Universidade do Algarve (UAlg), o Algarve Biomedical Center (ABC), o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e a Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve.
Entre as principais inovações do projeto está a implementação de ferramentas tecnológicas nas farmácias comunitárias para detectar fibrilhação auricular e outras doenças cardíacas ocultas, bem como a criação de uma rede de desfibrilhadores automáticos externos, assegurando a capacidade de resposta rápida a situações de paragem cardiorrespiratória.
Além disso, o NumaPlus inclui serviços de revisão de medicação em lares de idosos (ERPI) e para pacientes com cuidados domiciliários, garantindo uma gestão eficaz da medicação para cerca de 6.000 utentes.
O projeto também vai envolver um programa de formação intensivo, tanto presencial como online, dirigido a profissionais de saúde e à população.
Esta formação será essencial para sensibilizar as comunidades sobre o papel crucial que podem desempenhar em situações de emergência cardíaca e para ensinar técnicas de Suporte Básico de Vida (SBV), especialmente em áreas rurais.
A experiência-piloto decorrerá na zona transfronteiriça Andaluzia-Algarve e permitirá avaliar o impacto deste novo modelo de cuidados, promovendo a inovação e a sustentabilidade dos sistemas de saúde, com vista à replicação em outras regiões.