É portimonense, cursa engenharia civil e é um dos valores emergentes no panorama nacional de voleibol. Na época 2012/2013, ainda júnior, integrou a equipa principal do Benfica que se sagrou campeã nacional e vencedora da Taça de Portugal. Tem 20 anos e faz parte da seleção nacional, integrando o projeto de renovação da mesma.
O «barlavento» conversou com ele, descobrindo que foram os Amigos do Voleibol de Portimão, na altura em gestação, que o levaram para a modalidade, ainda muito novo. Mas havia poucos miúdos para formar uma equipa federada e foi treinando o melhor que podia, até ir para Lisboa, aos 16 anos, para seguir a sua formação académica.
Entrou para o Benfica, onde se manteve dois anos, transitando depois para o Clube de Voleibol de Oeiras, onde se encontra. Este ano, recebeu a primeira convocatória para a seleção nacional.
Porquê a transição para o Clube de Voleibol de Oeiras?
Afonso Guerreiro – Na altura, havia possibilidade de ficar no Benfica, mas optei por vir para este clube de segunda divisão, porque tenho mais oportunidades de jogar. Como tive pouco tempo de voleibol federado, o importante era mesmo conseguir jogar. A qualidade de treino no Benfica poderia ser superior, mas as oportunidades de jogar assiduamente eram menores.
E consegue, mesmo jogando numa equipa de escalão inferior, integrar a seleção. Quer dizer que foi uma aposta ganha?
Correto. Mas também fizeram uma convocatória maior do que em anos anteriores, contendo cinco ou seis jogadores que consideram com potencial para o rejuvenescimento da seleção para os próximos anos.
A seleção não ganha nada desde 2010 e o plantel estava um pouco envelhecido. O sangue novo vai ser benéfico?
Lógico. A seleção, este ano, está mais jovem e percebe-se este rejuvenescimento na seleção ao longo dos últimos dois anos. Temos lá muitos jogadores, como o João José, com muitos anos de seleção, que continuam a ser excelentes mais-valias, por isso é que estão lá eles e não os mais novos, mas tem de haver o ciclo normal de entrarem os mais novos, aos poucos.
Pensa vir a fazer carreira profissional como voleibolista, ou vai praticar engenharia e manter a modalidade como colateral?
Como é óbvio, uma pessoa que integra a seleção nacional sénior sonha ser um profissional. Mas temos de ter a consciência de que não é fácil atingir esse objetivo. E também não dura para sempre e tenho consciência disso. Mas tenho por objetivo vir a fazer profissão do voleibol, mas tendo sendo sempre como salvaguarda o meu curso de engenharia civil.
Afonso Guerreiro continuará em Portugal durante mais um ano, para acabar o seu curso, mas tem os olhos postos no estrangeiro, nas melhores ligas europeias, um sonho de que não pretende abdicar. Na época estival, de férias na «sua» Praia da Rocha, vai praticando voleibol de praia, uma forma de se manter ativo. E pensa participar, este ano, no campeonato de voleibol de praia, porque pensa que pode coexistir com o indoor, «embora sejam desportos completamente distintos, jogados em pisos diferentes, requerendo técnicas diferenciadas e com regras desiguais».