«Vamos sentir a falta da presença do Reino Unido na nossa mesa familiar europeia» – As palavras de Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, espelham bem o sentimento de tristeza que nos assola a todos, membros desta grande família que é a União Europeia.
Sofremos nos últimos dias um abalo sem precedentes. É a primeira vez que um povo abandona o nosso projeto comum. Num processo livre e democrático, o povo britânico exprimiu o desejo de sair da União Europeia e, apesar de lamentarmos esta decisão, devemos respeitá-la.
São dias tristes para todos os Estados-membros, enquanto coletivo, mas é agora importante pensarmos como vamos responder a essa questão de forma inteligente e não emotiva e ainda mais crucial, estarmos focados no que as pessoas esperam da União Europeia.
Aguardamos o próximo passo, o da concretização da saída do Reino Unido. Esta terá de acontecer de forma breve e ordenada, única maneira de tranquilizar os mercados e evitar que a incerteza provoque ainda prejuízos maiores. Estamos prontos para lançar rapidamente as negociações com o Reino Unido relativamente aos termos e às condições da sua saída da União Europeia. Até este processo negocial estar concluído, o Reino Unido continua a ser um membro da União Europeia de pleno direito (e obrigações).
Depois, esperamos ter o Reino Unido como um parceiro próximo da União Europeia. Qualquer acordo que seja concluído com o Reino Unido enquanto país terceiro terá de ser equilibrado e de refletir os interesses de ambas as partes.
A União Europeia tem décadas de experiência a enfrentar crises e tem emergido sempre mais forte. Devemos permanecer unidos e mais atentos na defesa dos valores essenciais da promoção da paz e do bem-estar dos seus cidadãos. A União constitui o enquadramento do nosso futuro político comum nesta época de globalização acelerada, que torna os países europeus demasiado pequenos para poderem continuar a ter peso a nível mundial separadamente. Estamos unidos pela História, pela Geografia e por interesses comuns e iremos desenvolver a nossa cooperação nessa base. Está na altura de darmos mais atenção ao coletivo. Num mundo em que os problemas são globais, as soluções não podem ser nacionais. Só assim, poderemos ser ouvidos num mundo de gigantes.
Para travar a onda de populismo e nacionalismo que tenta varrer o mundo ocidental é imperioso gerar crescimento, criar emprego, aumentar a prosperidade e garantir um ambiente seguro para os nossos cidadãos. As Instituições Europeias não podem deixar de desempenhar o papel de catalisador necessário a vencer de uma vez por todas a crise económica que nos pôs nesta situação crítica. Mas não podemos olhar só para a vertente económica. Há que reforçar a vertente política, dando mais alma à nossa união.
Não se trata de mais Europa, nem de menos Europa. Nós precisamos de uma Europa melhor e precisamos de tirar as lições do referendo do Reino Unido. A União de 27 Estados-membros irá continuar!
Opinião de João Tatá dos Anjos, representante Interino da Comissão Europeia em Portugal