Há décadas que já não se fazem rotundas no norte da Europa, como as que estão a finalizar na EN125. A alternativa encontrada é um sistema de gestão de trânsito mais inteligente e que já funciona há alguns anos. Os semáforos funcionam com o apoio de um microradar que lê a velocidade de cada viatura em aproximação ao cruzamento. Em nanosegundos, o processador calcula qual dos sentidos deve abrir para verde e por quanto tempo, até que todas as viaturas passem. Não é um tempo igual para todos os lados, mas variável, consoante os fluxos de tráfego, sobretudo de pesados como autocarros e camiões. O sistema chama-se SENSE.
Também já não se fazem passeios como na zona suburbana da EN125. Fazem ciclovias de um dos lados. Há décadas que não se fazem, em subúrbios ou estradas, apenas duas faixas e bermas de cada lado. São feitas três faixas, sendo a do meio de sentido variável, para permitir ultrapassagens em vez de filas enormes como as da EN125. No acostamento há sinais a indicar a próxima berma e a próxima faixa de ultrapassagem.
A atual reconstrução da EN125 é retrógrada, é impingir um projeto há muito esquecido e ultrapassado. É perigosa e vai trazer ainda mais mortes, pois como são poucos os espaços onde se pode ultrapassar em segurança, muitos arriscarão manobras sem visibilidade. Como o tempo de circulação na EN125 piorou bastante, muitos profissionais têm sido obrigados a pagar balúrdios para usar a A22, para manterem os seus negócios a funcionar. É o caso das empresas de transfers, por exemplo. Quem ganha, quem perde? Perdemos nós, quase todos os cidadãos algarvios e não só, que consideram o sistema de pagamento da A22 inteiramente obsoleto e socialmente injusto. Ganham os que exploram a A22, grandes cartéis estrangeiros, que tiveram o seu tráfego reduzido à metade. Ganham os grandes construtores que sabem que o atual investimento terá que ser refeito dentro de poucos anos.
Jack Soifer | Consultor internacional