O Algarve ganhou 70 mil residentes em quatro anos e tem a maior proporção de população estrangeira do país, segundo dados revelados hoje pelo INE.
O Algarve foi a região de Portugal que mais cresceu em termos relativos entre 2021 e 2025 e aquela onde os residentes de nacionalidade estrangeira têm maior peso na população, segundo as Estimativas de População Residente divulgadas hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
A região algarvia tinha 578.032 residentes no final de 2025, mais 70.102 do que em 2021, o que corresponde a um crescimento de 13,8%, o mais elevado entre todas as regiões portuguesas.
O Algarve superou a Península de Setúbal, que cresceu 12,8%, a Grande Lisboa, com 10,6%, e o Oeste e Vale do Tejo, com 9,7%.
O aumento populacional foi impulsionado sobretudo pela população estrangeira.
O número de residentes de nacionalidade estrangeira passou de 97.580 em 2021 para 161.556 em 2025, mais 63.976 pessoas. Dos 70.102 residentes que o Algarve ganhou entre 2021 e 2025, 63.976 correspondem ao aumento da população de nacionalidade estrangeira.
A população de nacionalidade portuguesa também aumentou, mas de forma mais moderada, passando de 410.350 para 416.476 residentes.
Os residentes de nacionalidade estrangeira representavam 27,9% da população residente no Algarve no final de 2025, a proporção mais elevada do país. Em 2021, esse peso era de 19,2%. A Grande Lisboa surgia em segundo lugar, com 22,6%, seguida pela Península de Setúbal, com 18,3%. A média nacional situava-se nos 14%.
Apesar do crescimento registado desde 2021, os dados mostram uma desaceleração em 2025. O Algarve ganhou apenas 937 residentes face ao ano anterior, depois de aumentos de 34.869 pessoas em 2022, 21.124 em 2023 e 13.172 em 2024.
O saldo natural manteve-se negativo, em 1.296 pessoas, devido à diferença entre nascimentos e mortes. O crescimento populacional só foi possível graças ao saldo migratório positivo, que atingiu 2.233 pessoas.
A taxa de crescimento efetivo foi de 0,16%, resultante de uma taxa de crescimento natural negativa de 0,22% e de uma taxa de crescimento migratório positiva de 0,39%.
Região continua a envelhecer
O Algarve tinha 72.851 jovens até aos 14 anos e 130.141 residentes com 65 ou mais anos no final de 2025.
O índice de envelhecimento aumentou de 167,4 idosos por cada 100 jovens em 2021 para 178,6 em 2025. Apesar da subida, o valor mantinha-se abaixo da média nacional, fixada em 188,8.
O índice de dependência total era de 54,1 pessoas jovens e idosas por cada 100 residentes em idade ativa.
Loulé lidera em população
Loulé era o concelho mais populoso do Algarve, com 94.447 residentes, seguido por Faro, com 80.256, Portimão, com 78.125, Albufeira, com 63.375, e Olhão, com 48.826.
Os maiores aumentos absolutos entre 2021 e 2025 ocorreram em Loulé, com mais 13.262 residentes, Portimão, com mais 12.240, Albufeira, com mais 11.412, Faro, com mais 7.255, Silves, com mais 6.124, e Lagos, com mais 4.956.
Em termos relativos, Albufeira liderou o crescimento municipal, com mais 22%, seguida por Portimão e Vila do Bispo, ambos com 18,6%, Aljezur, com 17,9%, Loulé, com 16,3%, e Silves, com 15,4%.
Alcoutim foi o único concelho algarvio que perdeu população entre 2021 e 2025, passando de 2.516 para 2.467 residentes.
Estrangeiros representam mais de 40% da população em Vila do Bispo
Vila do Bispo era o concelho com maior peso de residentes estrangeiros, que representavam 41,7% da população local.
Seguiam-se Aljezur, com 40,5%, Albufeira, com 38,8%, Lagos, com 35,9%, Loulé, com 31,2%, e Tavira, com 30,3%.
Em números absolutos, Loulé concentrava a maior comunidade estrangeira da região, com 29.473 residentes, seguida por Albufeira, com 24.583, Portimão, com 22.667, Faro, com 18.030, e Lagos, com 14.629.
A população estrangeira aumentou em todos os concelhos algarvios entre 2021 e 2025.
A comunidade brasileira continuava a ser a mais numerosa, com 42.943 residentes, seguida pela do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, com 19.277, e pela Índia, com 13.255.
Ucrânia, Nepal, Alemanha, França, Itália, Países Baixos, Cabo Verde, Roménia, Bangladeche, Guiné-Bissau e Paquistão figuravam também entre as nacionalidades mais representadas.
Os dados do INE mostram que o Algarve continua a crescer graças à imigração. Revelam também uma região onde quase três em cada dez residentes têm nacionalidade estrangeira, num contexto de envelhecimento demográfico e de dependência crescente dos saldos migratórios para compensar o défice natural da população.
Foto: Bruno Filipe Pires