A Greve Geral no Algarve registou adesões entre 70 e 90% em vários sectores, encerramentos de serviços públicos e apenas um voo a sair do Aeroporto de Faro.
Os números foram avançados hoje ao final da manhã por Catarina Marques, coordenadora da União de Sindicatos do Algarve (USAL), em declarações aos jornalistas. A dirigente afirmou que a mobilização «superou expetativas» e destacou a adesão «com muito significado» nos serviços dos hospitais, centros de saúde, recolha de lixo — sobretudo no município de Silves — além de creches e jardins de infância afetos à Santa Casa da Misericórdia.
No transporte ferroviário e rodoviário, assim como no Aeroporto Internacional de Faro, a participação situou-se «na ordem dos 70 aos 90%». Segundo Catarina Marques, até ao final da manhã «ainda só levantou um voo dos 36 que estavam previstos», o que revela a forte paralisação entre trabalhadores da placa, handling, check-in e socorro.
Centros de finanças e tribunais também estiveram encerrados em vários pontos da região.
A dirigente referiu que o ambiente nos locais de trabalho já deixava prever uma mobilização ampla. «Uma das coisas que surgia muito era a questão do eu nunca fiz greve, mas esta vou fazer», exemplificou.
A manhã ficou marcada por uma concentração no largo da Pontinha, em Faro, que juntou centenas de pessoas. «Aqui na praça da greve foi de facto uma manifestação de força, de unidade espetacular», disse, garantindo continuidade na contestação caso o executivo de Luís Montenegro insista no pacote laboral.
«O governo quer impor estas alterações à legislação laboral, mas os trabalhadores não vão aceitar. Chamam-lhe Trabalho XXI, mas nós consideramos que é regressar ao século XIX. Esta foi a primeira greve geral, vamos ver a resposta que o governo vai dar».

Catarina Marques, ex-cabeça de lista da Coligação Democrática Unitária (CDU) à Câmara Municipal de Faro nas últimas eleições autárquicas, sublinhou que o Algarve deixou «uma grande mensagem». «A adesão hoje foi fantástica. Supera muito as expetativas. Os trabalhadores revelaram força para continuar a luta que for necessária».
«Nós lutamos consoante aquilo que o governo nos quer impor. Se quiserem aumentar salários, se quiserem regular os horários, se quiserem respeitar os direitos da maternidade e da paternidade, está tudo bem. Agora, atacando os trabalhadores desta forma, a única resposta que podemos dar é a luta», reforçou.
A Praça de Greve no largo da Pontinha foi organizada pela União dos Sindicatos do Algarve (USAL/CGTP-IN). A direção sindical defende que «perante o ataque do governo PSD/CDS, com o apoio do Chega e IL, aos direitos dos trabalhadores, a resposta só pode ser a Greve Geral».
Segundo comunicado da USAL/CGTP-IN, as políticas propostas «agravam a exploração, aumentam injustiças e desigualdades e perpetuam baixos salários e precariedade». O objetivo da paralisação é «rejeitar este pacote laboral e exigir ao governo a sua retirada, exigindo mais salário e mais direitos, mais e melhores serviços públicos e o cumprimento da Constituição da República Portuguesa».