O Partido Socialista de Faro distribuiu ao final da manhã de hoje, quinta-feira, 3 de janeiro, panfletos de apelo ao boicote do Banco CTT, à porta da Estação do Largo do Carmo, aproveitando o descontentamento dos populares que desistiram de serem atendidos nos balcões postais, numa altura em que o posto de Estoi está também na mira da onda de encerramentos da empresa.
É «um ataque que a empresa privada CTT está a fazer pelo país todo, e também em Faro, capital de distrito no Algarve, encerrando sistematicamente postos postais de proximidade às comunidades. Já fez isso em Santa Bárbara de Nexe, em 2013, trocando um posto por um mini mercado. Agora, faz isso na Conceição de Faro e em Estoi, trocando o posto pela Junta de Freguesia, sob pena de não haver nada para atender as comunidades», acusou Paulo Neves, presidente da Comissão Politica Concelhia de Faro do Partido Socialista, ouvido pelos jornalistas.
«Deixámos de ter uma empresa nacional de referência europeia na área da distribuição postal e passámos a ter mais um banco, e ainda por cima com uma estratégia. Fecham todos os balcões postais para obrigar a que haja filas no sítio onde têm o banco para assim conseguirem arranjar clientes bancários. Ou seja, o banco CTT é viabilizado à custa das pessoas que estão à espera de serviço postal», acusou ainda, lembrando os casos da Estação de Correios de Sagres no concelho de Vila do Bispo, Aljezur e Praia da Luz, Lagos.
«Enquanto a ANACOM não obrigar os CTT a cumprir o serviço postal, o que nós entendemos é que as pessoas, para defesa sua, devem evitar preferir o banco CTT. É o que estamos aqui a dizer. Os clientes podem optar por outros bancos, mas não podem optar por outros correios, porque só há este», sublinhou.
«Achamos legítimo que os CTT tenham um banco. Achamos normal para se sustentar a redução de tráfego postal. Agora, o que não achamos legítimo é que haja uma completa subversão como a que está a acontecer, em que passa a haver mais um banco e deixa de existir serviço postal. Por isso, convidamos os portugueses, e neste caso particular, os farenses, a não utilizarem o banco enquanto os CTT não respeitaram os direitos das pessoas ao serviço postal», disse ainda o líder socialista.
Paulo Neves lembrou ainda que está em causa a cobertura territorial dos serviços postais, e sobretudo um valor consagrado na Constituição da República Portuguesa, que é a salvaguarda do direito à privacidade nas povoações mais pequenas. «Agora toda a gente sabe a vida de todos. Toda a gente na mercearia sabe a quem pago, se sou intimado, ou que cartas envio a quem», exemplificou.
Apesar de ser da mesma cor política, Neves considera «inevitável» a intervenção do governo «se os CTT continuarem por este caminho».
«Se continuarem a abusar da confiança dos portugueses, a abusar da sua vida privada, do seu desconforto» nas deslocações, um problema que atinge sobretudo «as populações mais carenciadas do interior e os mais envelhecidos, é claro que o Banco de Portugal, a ANACOM e o governo, terão que fazer cumprir a lei. Quando isto chegar a um ponto limite, o governo tem de pôr ordem nos CTT», concluiu.

