«Mais uma vez as propostas para a eliminação das portagens na Via do Infante foram chumbadas, hoje, na Assembleia da República, pelos deputados do PS, PSD e CDS/PP. Mais uma vez verificou-se uma coligação negativa entre estas três forças políticas contra o Algarve, contra os anseios e reivindicações dos seus utentes e populações», lamenta a Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI) em nota de imprensa.
«Lamentavelmente, voltaram a ser reprovados Projetos de Resolução do Bloco de Esquerda, do PCP e dos Verdes, propondo a abolição das portagens no Algarve. PS, PSD e CDS/PP continuam insensíveis ao sofrimento e à tragédia em que mergulhou o Algarve desde há cinco anos com a introdução de portagens. Mostraram-se insensíveis e indiferentes ao agravamento da sinistralidade rodoviária, grande parte ocorrida na EN125, uma rua urbana e considerada a via mais mortífera do país», defende a CUVI.
PS, PSD e CDS/PP, no entender desta plataforma contestatária, «também continuam indiferentes a um contrato ruinoso e obscuro que envolve a PPP da Via do Infante, pois em cada ano que passa subtrai ao Estado e aos contribuintes mais de 30 milhões de euros, mesmo com a cobrança de portagens. Continuam assim indiferentes ao retrocesso da mobilidade e às dificuldades económicas e sociais de empresas e pessoas na região», sublinha a CUVI.
Em relação às propostas do PSD e do CDS/PP, apresentadas agora também no Parlamento, «de tão irrelevantes e ridículas constituem um insulto ao Algarve. Apenas tentam branquear as graves responsabilidades que têm na imposição de portagens e o facto de votarem sempre pela sua manutenção. Curiosamente, a proposta do PSD não passa de uma autêntica trapalhada e embuste, visto ser tecnicamente impraticável».
«Com um novo governo, agora do Partido Socialista, havia uma forte esperança que terminasse a imposição de um erro crasso no Algarve – as injustas, arbitrárias e criminosas portagens na Via do Infante, implementadas pelo anterior governo do PSD/CDS no dia 8 de dezembro de 2011. Mas essa esperança esvai-se, e a indignação e a revolta começam a instalar-se. Afinal, no Algarve e no que toca a portagens, o PS transformou-se numa extensão do governo PSD/CDS», lê-se ainda na nota.
Agora «a responsabilidade coloca-se toda no Primeiro-Ministro e no governo, tanto mais que António Costa reconhecendo que a EN125 era um cemitério, admitiu levantar as portagens no Algarve. Espera-se que o faça antes do próximo verão, evitando a repetição de um novo “inferno” na região».
Caso não o faça, «a luta não vai parar e vai voltar à rua nos próximos dias, com mais força, determinação e revolta. Como já foi anunciado pela Comissão de Utentes da Via do Infante irá ter lugar uma marcha lenta de viaturas pela EN125, no dia 17 de abril, entre as Quatro – Estradas e Lagoa, com partida pelas 15 horas, junto ao Restaurante Zé do Norte. Também irá ser pedida, em breve, audiências ao Presidente da República e ao Primeiro-Ministro para reunir com uma Delegação alargada composta por elementos da CUVI, empresários, autarcas e outras entidades do Algarve, procurando sensibilizá-los para que o Algarve volte a ser uma região livre de portagens com urgência, tendo em conta os graves constrangimentos que se continuam a verificar na região».
A CUVI destaca ainda que «só no ano passado houve no Algarve 10.241 acidentes de viação, com 31 vítimas mortais e 158 feridos graves, grande parte na EN125, que se encontra longe de estar requalificada e transformada numa autêntica armadilha. Mas mesmo requalificada, nunca constituirá uma alternativa à Via do Infante. No mês de agosto, no ano passado, foram cerca de 50 acidentes diários e neste início do ano os acidentes voltaram a disparar no Algarve. Um verdadeiro “estado de guerra” que tem lugar na principal região turística do país. E que tem sido assim nos últimos anos».