Nasci em Vila Pery, hoje Chimoio. Era pacífico para mim, que tendo lá nascido, seria e sempre serei moçambicano. A descolonização apressada e mal feita, conduziu-me à minha amada nação, então esfera da ex-URSS, com um regime Marxista Lelinista instalado.
Armando Guebuza, no tempo do Presidente Machel, brindou os elementos da raça branca com ordem para levarem 20 quilos de bagagem num prazo de 24 horas para saírem do país, Moçambique. Começaram a ocorrer fuzilamentos sumários e prisões arbitrárias, por mero delito de opinião.
Antevendo este cenário, no dia 11 de novembro de 1974, emitiram contra mim um mandato de captura e tendo tido conhecimento deste, refugiei-me com a minha família na Rhodesia, hoje Zimbabwe, onde de igual forma iam aparecendo moçambicanos de várias etnias, maioritariamente «negros» das mais diversas tribos, que também tinham ousadia de tentarem ser livres e de viverem em democracia.
É neste ambiente de descontentamento e revolta latente, que começa a germinar a ideia de conceber um movimento de resistência, decorria já o longínquo ano de 1976.
Confesso com orgulho e sem nenhum arrependimento ter participado na fundação da Resistência Nacional Moçambicana, hoje Renamo.
Por razões familiares e pessoais, cheguei a Portugal em dezembro de 1978, não tive qualquer problema em obter a nacionalidade, coisa que agradeço aos meus ancestrais.
Vi com enorme alegria o acordo de paz entre a Frelimo e a Renamo, pensei ter chegado a hora de enterrarmos os machados de guerra e contribuir para o desenvolvimento da terra que me viu nascer.
Para surpresa minha, volta, volta e meia começou a surgir o meu nome em jornais e agências noticiosas de Moçambique, de uma forma pública e irregular.
Com a crispação causada pelo facto da Frelimo não ter querido ou sabido partilhar o poder, ou julgar claramente o jogo democrático, essa perseguição à minha pessoa na imprensa, começa a surgir de forma cada vez mais clara, a coação psicológica e alvitres à minha eventual eliminação física.
Vivendo eu em Portugal e sendo também português, parecerá coisa impossível. A mim, somente, não me parece.
Basta recordar o meu companheiro Evo Fernandes, barbaramente assassinado em Cascais, entenda-se Portugal. Serve esta reflexão para que, se algo semelhante ocorrer comigo, entenderem que o mandante será sempre o poder da Frelimo.
No entanto, a vida é um dom de Deus, e este muito mais determinante, que meia dúzia de Homens de formação moral duvidosa, para quem a vida humana não tem valor algum.
Como não subestimo a sua maldade, o que essa possibilidade existe contra a minha pessoa, apresentei queixa às autoridades portuguesas competentes. A luta continua!
Opinião de Rodrigo Carlos Guedes