Merecia melhor sorte a primeira participação da Parkalgar Racing Team numa prova do campeonato do mundo de endurance. As 12 Horas de Portimão foram madrastas para as aspirações da equipa que depois de duas fantásticas recuperações não conseguiu cruzar a linha de meta ao abandonar quando faltavam 41 minutos para o final da corrida portuguesa realizada hoje nos 4.592 metros de perímetro do Autódromo Internacional do Algarve.
«Já vinha a sentir a caixa de velocidade algo presa em voltas anteriores e por algumas vezes ficava mesmo com um ponto morto falso em alguns momentos, em especial nas travagens para curvas mais lentas. Numa dessas curvas a caixa de velocidade acabou por ficar de forma inesperada engrenada em primeira velocidade, bloqueou a roda traseira e não consegui evitar a queda. Não havia nada a fazer e fomos mesmo forçados a abandonar. Sinto-me triste porque todos os três trabalhamos para tentar dar uma alegria aos portugueses e não o conseguimos fazer», comentou Miguel Oliveira no regresso às boxes onde foi recebido com bastante carinho pelos elementos da equipa e pelos seus colegas, Miguel Praia e Matthieu Lussiana.
A equipa acabou por abandonar quando estavam cumpridas 11 horas e 19 minutos de corrida, a 41 minutos da bandeira de xadrez que acabou por ser recebida em primeiro pela equipa da Yamaha GMT94 num final decidido por apenas 81 milésimas de segundo, a diferença mais curta na história do campeonato do mundo de resistência.
Como consolo a Parkalgar Racing Team ficou com a volta mais rápida em corrida, assinada por Miguel Oliveira na volta 261 das 352 que a equipa acabou por realizar, o que lhes permitiu mesmo assim terminar classificados na 20ª posição, que em nada espelha o fantástico trabalho realizado ao longo do fim-de-semana pela equipa que conquistou por duas vezes o titulo mundial de Supersport nos dez anos em que esteve nesse mesmo campeonato do mundo.
Lussiana fechou participação lusa à 11ª hora
Por força da sua maior experiência em provas de resistência o francês Matthieu Lussiana, foi o piloto que concluiu a participação da Parkalgar Racing Team nas 12 Horas de Portimão. Com onze longas horas de presença constante em pista foram dois os momentos que marcaram esta estreia da Parkalgar neste formato de corridas – a falta de combustível no final da primeira hora e uma queda já numa fase muito adiantada da prova após ter sido quebrada a barreira das oito horas.
«Foi pena o problema inicial que nos alterou por completo a estratégia de corrida e posteriormente a queda. Foram os dois únicos momentos imprevistos da corrida porque de resto todos estivemos a 100 por cento e a equipa trabalhou de uma forma fantástica mesmo sendo esta a sua primeira participação numa prova de resistência. Foi pena o resultado que em nada reflete o que foi feito pelos pilotos em pista, mas as corridas são mesmo assim e temos que os encarar dessa forma. Ficou claro que poderíamos ter sido protagonistas mas infelizmente não o fomos no que diz respeito ao resultado final porque fomos protagonistas na corrida e o reflexo disso está na volta mais rápida feita pelo Miguel Oliveira», segundo as palavras de Paulo Pinheiro, o responsável da equipa antes da entrada na derradeira hora de prova onde a Yamaha R1 ainda tentou subir na classificação.