Mais de uma dezena de rotundas em Portimão vai deixar de estar sujeita à manutenção da Câmara Municipal para passarem para as mãos de privados, na maioria empresários locais e regionais, durante um ano. Está, por isso, para breve a concretização das propostas apresentadas àquela autarquia no início deste ano, naquele que foi um concurso inovador no país. O desafio era adotar uma das 30 rotundas disponíveis e mantê-la durante doze meses, podendo o responsável, em contrapartida, usar o espaço para publicitar o seu negócio, associação ou entidade. Não será de admirar, portanto, que surjam, em breve, as rotundas do Hospital Particular do Algarve, da Plano de Pormenor, da Nosolo, dos Móveis Malheiro, do Clube Amarilis, da Paraalvor ou da imobiliária Viegas e Viegas
Agora, nesta primeira fase, tiveram o aval da autarquia 14 propostas, que, nos próximos meses, terão que reverter a imagem de falta de manutenção destes espaços verdes. Aliás, o procedimento surgiu porque a Câmara Municipal não tinha verba disponível para manter a relva aparada, as árvores podadas e os arbustos cortados, num cenário compatível com este destino turístico.
Contactado pelo «barlavento», Joaquim Castelão Rodrigues, vice-presidente da Câmara Municipal de Portimão, revelou que foram apresentadas 26 propostas para 14 rotundas. Ou seja, «percebemos que as empresas apresentaram propostas para três e quatro rotundas, ainda que só quisessem ficar com a manutenção de uma». Os empresários tiveram receio de, ao concorrer apenas a uma, não conseguirem ficar com nenhuma, caso houvesse concorrência. «Abrimos uma negociação com os concorrentes, até para aferir alguns pormenores», como o tipo de estruturas a utilizar, pois algumas não seguiam os critérios do regulamento lançado pela autarquia.
A Câmara Municipal de Portimão e os proponentes conseguiram chegar a acordo, tendo sido sujeita a reunião de executivo camarário, ontem, 18 de maio, após o fecho desta edição, «a proposta de entrega das rotundas e da minuta de contrato», adiantou ainda Castelão Rodrigues.
A autarquia esperava que as grandes marcas com implantação no concelho, como o Continente, a Max Mat, o Jumbo ou o Aki concorressem, mas não foi entregue nenhum documento destas insígnias. De qualquer forma, a porta não está fechada, pois a autarquia deverá colocar mais rotundas à adoção de empresas, associações, entidades e particulares.
«Houve rotundas que não estavam contempladas, mas que, entretanto, já nos chegaram manifestações de interesse. É o caso do Intermarché que quer uma em Alvor», relevou o vice-presidente. Poderá, por esta razão, o concurso ser alargado a uma segunda fase de consulta, confirmou Castelão Rodrigues. Este concurso, que é mais caracterizado como um regulamento, na ótica do vice-presidente, servia para colocar critérios aos projetos apresentados.
A verdade é que até o PSD e a JSD de Portimão conseguiram adotar a rotunda na Avenida das Olimpíadas, na zona dos três Bicos (V7), ainda que tenha sido necessário alterar a proposta inicial, como o «barlavento» apurou.
Um dos critérios era que a rotunda não tivesse carácter definitivo, pois apenas é cedida por um ano. «Queriam inserir um logótipo no solo [com casca de pinheiro e gravilha preta e branca], portanto solicitou-se que fossem colocados de outra forma». O «barlavento» sabe que serão colocadas duas sinaléticas publicitárias (uma referente a cada uma das estruturas políticas), com cerca de um metro de altura, no espaço verde.
Hélder Renato, presidente do PSD de Portimão, já tinha justificado ao «barlavento» que esta adoção é uma questão de participação de um grupo de pessoas que pretende «fazer algo pelo concelho». O líder do partido social-democrata local lamenta o «ponto a que a Câmara Municipal chegou» para ter que lançar «concurso público para a gestão das rotundas», mas a ideia é ver a moda pega e se aquele espaço passa a ser conhecido por rotunda do PSD/JSD. «A proposta foi ousada. O regulamento não impedia os partidos de concorrer», comentou.
No entanto, ao ganhar a rotunda, haverá a responsabilidade de manter o local, ao que Hélder Renato não vê qualquer problema. «Temos um grupo de pessoas que não se importa de ir» trabalhar, estando já definido que haverá equipas para plantar, adubar, podar ou realizar todas as inerências a uma manutenção de rotunda. Serão colocadas laranjeiras (típicas da região), que até condizem com a cor política da estrutura.
Ao que o «barlavento» apurou ainda haverá uma zona de relva, em vez da casca de pinheiro prevista na primeira proposta, serão plantadas margaridas amarelas e brancas, e laranjas, e arbustos (alecrim, limpa garrafa vermelha e teucrium).