Arte Xávega regressou à Meia Praia com homenagem a Zé Bala e reforço do compromisso com a preservação desta tradição piscatória.
A Arte Xávega voltou à Meia Praia e reuniu dezenas de pessoas num lançamento realizado junto ao Bairro 1.º de Maio, em Lagos, assinalando o regresso de uma tradição piscatória que marcou durante gerações a vida da comunidade local, no domingo, dia 6 de junho.
A iniciativa decorreu no dia 6 de junho e contou com a participação de moradores, visitantes e populares, bem como com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lagos, Hugo Pereira.
O regresso da Arte Xávega resulta do protocolo de colaboração assinado entre o Município de Lagos e a Associação de Moradores 1.º de Maio, em março de 2026, que permite dar continuidade a esta prática enquanto manifestação cultural de caráter episódico.
Este primeiro lançamento foi dedicado à memória de José da Glória Santos, conhecido como Zé Bala, falecido no final de 2025. Figura de referência da comunidade, dedicou grande parte da sua vida à preservação desta arte de pesca tradicional, tornando-se um dos seus principais defensores.
Durante a iniciativa, Hugo Pereira destacou a importância da salvaguarda deste património cultural imaterial.
«A Arte Xávega da Meia Praia integra um conjunto de práticas e saberes que definem a identidade de Lagos e das suas gentes e que importa proteger, não apenas como herança, mas como memória viva para as novas gerações», afirmou.
Em articulação com a Associação de Moradores 1.º de Maio, o município prevê realizar novos lançamentos ao longo do ano, que serão divulgados através dos respetivos canais de comunicação.
A Arte Xávega da Meia Praia é uma técnica tradicional de pesca com arte envolvente-arrastante e alagem para terra. A rede é lançada ao mar com o apoio de uma embarcação, deixando cabos em terra que permitem o seu posterior arrasto manual até à praia.
O processo, executado com recurso à força humana, pode prolongar-se durante cerca de quatro horas e envolve a participação de um grupo alargado de pessoas.
Mais do que uma prática piscatória, a Arte Xávega mantém uma forte dimensão social e comunitária, reunindo homens e mulheres de diferentes idades e profissões que participam para preservar a tradição, conviver e manter viva uma atividade que faz parte da identidade da Meia Praia.






