No próximo dia 21 de maio assinala-se o Dia Nacional e Europeu de Luta Contra a Obesidade, uma doença que em Portugal tem vindo a tomar sinais alarmantes, tendo a sua incidência triplicado nos últimos 20 anos.
O mais recente estudo realizado em Portugal, revela que mais de metade da população tem excesso de peso e destes, 14,2 por cento são casos de obesidade. Isto é, cinco milhões de portugueses têm excesso de peso e 1,5 milhões são obesos.
Quando os estudos têm o enfoque nas faixas etárias mais jovens, os números são igualmente alarmantes: 31 por cento das nossas crianças e adolescentes têm excesso de peso e 10 por cento são já casos de obesidade. Nas crianças entre os sete e os nove anos de idade, a prevalência de excesso de peso é de 31,5 por cento, número que coloca Portugal em segundo lugar na lista de prevalência de obesidade infantil na Europa.
No contexto infantil e dos jovens, a obesidade não só representa um risco aumentado no desenvolvimento precoce de doenças não transmissíveis, como é determinante para o aparecimento da obesidade na idade adulta. Calcula‐se que cerca de 60 por cento das crianças que apresentam excesso de peso antes da puberdade, poderão apresentar excesso de peso numa idade adulta jovem.
A obesidade é uma doença crónica e constitui um dos mais graves problemas de saúde pública, o que levou a Organização Mundial de Saúde a considerá-la «a epidemia do século XXI».
Os problemas decorrentes da obesidade ultrapassaram há muito as questões estéticas. É uma doença com interferência significativa no risco de outras patologias, muitas vezes irreversível e igualmente relacionada com a mortalidade precoce. Nas doenças associadas, destacam-se a Diabetes Tipo 2 e as doenças cardiovasculares. A Diabetes Tipo 2, que em cerca de 80 por cento dos casos ocorre em obesos, tem manifestado uma prevalência crescente. Neste momento já atinge crianças e adolescentes. As doenças cardiovasculares relacionam-se com estas duas condições – obesidade e diabetes – e são, a par do cancro, uma das grandes causas de mortalidade precoce.
A obesidade tem também associação significativa com a hipertensão, litíase vesicular, certos tipos de cancro e problemas psicossociais, aumentando também o risco de dislipidemia, insulinorresistência, problemas respiratórios, osteoarticulares, hormonais, entre outros, contribuindo em larga escala para a diminuição da qualidade de vida. O conjunto destes factos provoca custos diretos e indiretos consideráveis.
É largamente aceite que a obesidade é originada pelo desequilíbrio energético entre um aporte muito superior às necessidades orgânicas, durante um período de tempo prolongado. Este balanço energético tem múltiplas causas que interagem e se potenciam: os fatores internos, como genética ou a fisiologia, e os externos, ligados à interrelação do indivíduo com a sociedade. Entre os fatores externos, destacam‐se as mudanças dos estilos de vida, tais como alterações do padrão alimentar – maior consumo de hidratos de carbono e lípidos, redução do consumo de cálcio ou menor qualidade dos nutrientes – e aumento do sedentarismo.
Nesse sentido, a possibilidade de atingir o sucesso no combate a esta epidemia passará por abordagens individuais e globais, onde se articulem estratégias internacionais e nacionais, operacionalizadas pelas comunidades e instituições locais e próximas dos indivíduos, das quais de destaca a escola. A luta contra a obesidade é uma responsabilidade de todos, cuja atuação deve começar agora.
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