«Esta corrida é extremamente importante para nós. Foi muito difícil conseguirmos trazê–la para Portimão. É uma corrida que tem um custo elevado para a nossa organização», embora Paulo Pinheiro, mentor do Autódromo Internacional do Algarve (AIA), acredite que o retorno e a visibilidade associadas à prova compensem o esforço. Mas a grande novidade é a reativação da equipa Parkalgar Racing Team, que vai juntar a dupla de pilotos portugueses Miguel Oliveira e Miguel Praia a um terceiro piloto, ainda não definido. Será a única equipa portuguesa a correr nas 12 horas de resistência, aos comandos de uma Yamaha R1M, de 1000 centímetros cúbicos, com especificações Superbike.
Durante a apresentação à imprensa, na passada segunda-feira, 16 de maio, ambos os pilotos mostraram-se confiantes na possibilidade de alcançar um bom resultado. Miguel Praia, piloto que durante vários anos representou a Parkalgar nos mundiais de motociclismo em Supersport até 2015, considerou que «correr ao lado de Oliveira é uma oportunidade única para regressar». Ainda que numa prova particularmente dura para pilotos e máquinas.
O jovem Miguel Oliveira, vice-campeão do mundo de Moto3 e que disputa atualmente o Mundial de Moto2 (Kalex), disse aos jornalistas que aceitou de imediato o convite, porque queria muito correr em Portugal.
Paulo Pinheiro reconheceu que a reativação da Parkalgar Racing Team é um investimento elevado. «Um projeto destes só é viável com patrocinadores, ou seria impossível. O facto de termos o Miguel Oliveira connosco, que é um dos desportistas de topo neste momento em Portugal, permitiu-nos criar esta visibilidade. Várias marcas apostaram em nós e permitiram–nos fazer a corrida com todas as condições», disse aos jornalistas.
Pinheiro considera esta «uma corrida de eleição, com um retorno televisivo enorme, pela importância que a Eurosport está a dar ao campeonato. Temos de tentar ganhar como sempre fizemos». Entre 2007 e 2012, a Parkalgar subiu 22 vezes ao pódio, alcançando um total de 12 vitórias.
Quem fica a ganhar é também o Algarve. «Somos uma região com uma diversidade de oferta em complemento da praia e do golfe. Estas provas têm um impacto internacional e, atrás da imagem da mota, sempre vai alguma coisa do Algarve. Isso também faz com que a região seja conhecida lá fora», considerou Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve. «Vem acrescentar a oferta dos desportos motorizados, que permite experiências cada vez mais procuradas pelos turistas. Tendo nós um dos equipamentos mais fantásticos que existem no mundo, isso tem de ser potenciado e valorizado. É muito bom para a região a imagem que se pode levar deste autódromo no contexto de uma oferta diversificada e de muita qualidade».
Paulo Pinheiro estima, «só em termos de organização, pilotos, mecânicos» e todo o pessoal de apoio, que estejam no AIA «seis mil pessoas» a 10 e 11 de junho. «Nesse fim de semana, vamos também receber o campeonato de Espanha de karts, que traz mais 1500 pessoas», só para participar nas corridas. Questionado sobre a participação do público, o responsável espera que o preço acessível de bilheteira, aliado à possibilidade «de as pessoas poderem circular por sítios onde não podiam ir antes, como a Torre VIP», ditem o sucesso da prova. «Queremos que seja uma grande festa e que aproveitem o fim de semana prolongado».
Racing School é a grande aposta para 2016
A julgar pela experiência positiva do kartódromo (inaugurado em 2010 e que continua a ser um dos maiores da Europa), que segundo o responsável Paulo Pinheiro atrai «uma média anual de 30 mil pessoas», a renovada Racing School promete ser «o complemento perfeito» para quem passa férias no Algarve. «É a nossa grande aposta para este ano. Uma atividade lúdica, com mais adrenalina, que as pessoas podem fazer todos os dias. Não há necessidade de marcação prévia para virem fazer uma experiência» e que complementa a oferta de golfe, sol e praia da região. «Temos instrutores residentes e é sempre possível fazer cursos, voltas rápidas, tudo filmado para que as pessoas possam levar para casa esses momentos únicos».
«A maior parte das pessoas não tem noção, mas passam, por ano, 30 mil pessoas pelo nosso kartódromo. Mesmo na escola de condução, passam até 1500 pessoas todos os meses. Em casos isolados, como na corrida de 25 de maio, vamos ter um evento com 1300 pessoas, que vêm dos EUA de propósito, para experimentar os nossos carros e serviços. São atividades que fazem com que o Algarve seja conhecido em todo o mundo. Temos ciclicamente grupos de clientes estrangeiros que vêm fazer cursos connosco. É algo que nos dá um grande orgulho», explicou.
Miguel Praia, um dos instrutores da casa, reforçou que «é curioso como este turismo motorizado tem crescido. São clientes estrangeiros que vêm na vertente de lazer, usufruem da mota e do destino Algarve. Isto acaba por ser uma espécie de fábrica de sonhos, as pessoas sonham andar num carro ou numa mota com um instrutor, que tem um passado desportivo passado ou presente, seja na vertente lúdica ou de coaching para aprenderem a andar mais rápido».
A «frota simpática» é constituída por dois Audi, um Porsche, um Honda Type R, um «radical» e duas Yamaha R1, mota desportiva modelo topo de gama, fruto de uma parceria com a marca japonesa em Portugal.