Outubro foi o mês do cancro da mama e amanhã, dia 30, comemora-se o Dia Nacional da sua prevenção. Apesar dos avanços tecnológicos no campo da prevenção e do tratamento, as estatísticas continuam pouco animadoras. O cancro da mama apesar de não ser dos mais letais mantém uma elevada incidência e uma mortalidade importante, sobretudo na mulher. Estima-se que surjam em Portugal 4500 novos casos/ano, ou seja 11 novos casos/dia, morrendo por dia quatro mulheres com esta doença.
São vários os fatores de risco para o cancro da mama, sendo os mais importantes aqueles que variam de forma importante e que dificilmente são alteráveis. Falamos dos fatores genéticos, dos antecedentes pessoais de patologia da mama ou a idade do nascimento do primeiro filho. Nos últimos anos a literatura tem acrescentado outros fatores importantes, porém modificáveis, como são a alimentação ou determinados hábitos de vida. Por ser desconhecida a causa do cancro da mama, não há prevenção primária para a doença, sendo por isso a vigilância regular o método mais eficaz na prevenção desta condição. A vigilância mensal (palpação) por parte da mulher é muito importante, apesar de só permitir detetar lesões superiores a um centímetro, dai que seja obrigatória a vigilância regular pelo médico especialista.
O prognóstico do cancro da mama depende do estádio da doença na altura do tratamento, sendo mais uma vez a deteção precoce a possibilidade que oferece maior margem de sucesso.
A tecnologia do diagnóstico na área da senologia (ramo da medicina para o estudo global da mama normal e patológica) tem evoluído de forma muito positiva nos últimos anos. Exemplo dessa evolução é a mamografia digital, que possibilita detetar lesões de dois a três milímetros, que em conjunto com a estereotaxia(1) permite alcançar diagnósticos e resoluções totalmente precisos. A estereotaxia digital ou biópsia mamária guiada por estereotaxia permite determinar tridimensionalmente a lesão, oferecendo com grande precisão a realização de biópsias de micro calcificações, nódulos, áreas de assimetria focal ou distorção da arquitetura mamária.
Quando o tumor é cancerígeno é muitas vezes necessário realizar radioterapia. Esta terapia consiste na utilização de radiação ionizante, tendo como objetivo primário erradicar a doença, através da destruição do maior número possível de células tumorais ou da redução do tumor.
A dose de radiação que se administra depende de muitos fatores, mas quase todos os programas de radioterapia curativa têm uma aplicação diária, cinco dias por semana, durante aproximadamente seis semanas, cuja duração por sessão pode ocupar mais de uma hora. Esta duração do tratamento afeta negativamente a qualidade de vida das mulheres e das suas famílias, sobretudo aquelas que vivem afastadas dos centros de tratamento.
A possibilidade de realizar a radioterapia durante a cirurgia ao cancro da mama e numa só sessão apresenta-se como uma possibilidade vantajosa para as mulheres, refletida pela precocidade da abordagem que indubitavelmente se associa a melhores resultados.
Além disso, está comprovado que esta dose única de tratamento aplicada imediatamente após a remoção do tumor, esteriliza as eventuais células tumorais residuais apresentando menos toxicidade, menos lesões para a pele e áreas adjacentes, beneficiando por isso também o aspeto estético.
(1) Técnica cirúrgica minimamente invasiva que, através de um sistema de coordenadas tridimensional, permite alcançar com precisão pequenas estruturas no corpo, como quistos ou tumores e atuar da forma terapêutica necessária, como ablação, biópsia, injeção, implante ou radiocirurgia.
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