Foi igualmente um verão quente, porventura tal e qual como este de 2016, mas, nessa altura, eu ainda não era vivo para o sentir e presenciar. Falo do verão de 1976. A 29 de agosto, em pleno Pinhal do Pontal, Francisco Sá Carneiro abria as hostilidades daquela que hoje é a maior festa social-democrata do país: A Festa do Pontal.
Na sua primeira década, subsistiu em virtude da paixão popular desmesurada presa pela nova realidade que era a democracia, a esperança carregava em ombros a Festa do Pontal.

Para os que viveram de perto, mas principalmente para quem tem especial interesse pela política nacional, quem não se recorda do discurso do, então já primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva, em 1993, quando se assumiu perante o país como «o homem do leme»? Dizia o líder, natural de Boliqueime, que «mesmo aqueles que discordam de nós não têm dúvidas de que o barco tem um rumo e de que há uma pessoa ao leme».
A convicção das palavras de Cavaco Silva era sustentada pelos números socioeconómicos do país, por um lado, e pelo apoio popular conferido pela força da maioria absoluta nas urnas de quem tinha colocado o país no rumo do crescimento e da estabilidade.
Tal como Cavaco Silva, a Festa do Pontal também estava lançada no rumo da vitória.
A
Como tudo na vida, e em qualquer tradição, o Pontal também teve altos e baixos e algumas interrupções pelo meio. Houve presidentes que não quiseram marcar presença consecutivamente e outros que tentaram erradamente deslocalizar uma Festa do Pontal para 600 quilómetros mais a norte como se fosse possível um corpo sobreviver sem o seu coração a funcionar.
A Festa do Pontal é a demonstração da unidade do PSD, é a aliança clara entre a capacidade crítica e intelectual que temos nos quadros do nosso partido com a natural capacidade de mobilização popular que vivemos e nos rodeia desde a nossa fundação. Ambas as virtudes, complementam-nos.
Adiante.
Marcelo Rebelo de Sousa, quando o Partido já recuperava da derrota nas urnas que iria levar o país ao «pântano», deu um apoio inexcedível para a continuidade do Pontal. O próprio diz que pagou do seu bolso e os militantes reconhecerão sempre a estima que deu a uma festa que também tem a sua matriz: os afetos.
Os momentos baixos do Pontal coincidem naturalmente com a menor capacidade e engenharia financeira do Partido. De 2000 a 2004, há a tentativa falhada de deslocalizar a Festa e a interrupção do evento. Em 2006, sob liderança de Luís Marques Mendes, o Pontal muda de local. O espírito é o mesmo, mas o espaço é alterado.

Em 2010 acertou o passo, mas em 2011 Pedro Passos Coelho fez de profeta… e acertou novamente. Dizia o líder do PSD, com alusão ao plano de ajustamento financeiro, que mesmo «com o plano mais duro das tarefas que temos por realizar, sei que o que estamos a fazer ficará na história da Europa». E ficou. Passos Coelho foi democraticamente o líder mais votado nas legislativas de 2015. Mesmo sob fortes medidas de austeridade impostas, mesmo não cedendo um milímetro no percurso do crescimento e da estabilidade, Pedro Passos Coelho veria reconhecidas pela Europa as palavras que proferia na Festa do Pontal de 2011. O único líder europeu a ganhar eleições após um programa de ajustamento financeiro, o único!

A data é propícia também, visto que o pico do verão atrai ainda mais portugueses à região que é uma referência turística no mundo.
E, engane-se quem diga que é menor por ser na silly season. O país fala do Pontal a partir de julho e em setembro ainda se fala na maior rentrée política que temos no país.
Este ano, não será diferente. Serão 40 anos desta Festa. 40 anos de força popular aliada à capacidade crítica que só a social-democracia consegue dar.
A primeira vez que senti o Pontal foi em 1989 e sei que a última não será em 2016, porque, se o mérito funcionar sustentado pela história, seria um crime acabar com uma marca política com a força desta festa.
Até domingo!
Opinião de Carlos Gouveia Martins | presidente da Juventude Social Democrata do Algarve