
Autor de mais de dez livros de caminhadas, esta é a primeira vez que o aventureiro escritor Harri Garrod Roberts editou um guia de percursos pedestres fora do país de Gales. A apresentação decorreu no Ateneu Comercial e Industrial de Loulé, a 20 de dezembro. Roberts é formado na cultura tradicional galesa. Uma das paixões que partilha com a companheira Tracy Burton é as caminhadas.
Também Burton, ex-jornalista, lançou recentemente o livro «Nunca se é velho demais para usar uma mochila: Via Algarviana», dedicado à grande rota do sul de Portugal. O casal percorreu pela primeira vez os 300 quilómetros da via em maio de 2015.
Ao «barlavento» confidenciaram que «o percurso foi mais difícil e longo do que o que pensámos inicialmente», mas «valeu a pena» pois «adorámos caminhar ao lado do mar e explorar sítios onde não havia ninguém.
Os preços do alojamento e comida são comparativamente muito mais baixos que no nosso país». Questionados sobre o que mais os surpreendeu, destacaram «a simpatia, acolhimento caloroso e hospitalidade das pessoas que encontrámos pelo caminho. É impressionante. Infelizmente, no nosso país, já não se encontram pessoas assim. Desde o casal que abriu o snack-bar de propósito para nos fazer algumas sandes a um senhor que, por iniciativa própria, se ofereceu para encher as nossas garrafas com água», o povo algarvio impressionou o casal britânico.
O clima, a arquitetura, e o ambiente que ainda salvaguardam um modo de vida genuíno, em locais como as Furnazinhas e Cachopo, mas também as paisagens da serra do Caldeirão, Monchique e Picota marcaram a aventura e a escrita dos guias. «Muitas vezes, sentimos como se tivéssemos voltado atrás no tempo». Pelo caminho, descobriram «a saborosa comida típica» algarvia, e observaram de perto a vida selvagem no interior algarvio.
«Não esperávamos encontrar tantas cegonhas, abelhas, libélulas e rãs». Dito isto, Harri Garrod Roberts e Tracy Burton não escondem que também encontraram dificuldades. «É uma caminhada exigente. Requer alguma preparação física, especialmente a partir da primavera. Há trilhos difíceis, por vezes com subidas íngremes, secções do percurso muito longas e nem sempre com água disponível.
Também faltam sombras e a sinalização está incompleta devido ao vandalismo». Ainda assim, o balanço é tão positivo que o casal regressou ao Algarve não apenas para a apresentação dos guias, como também para uma temporada de «férias» que se prolongará até março. Entretanto, aventurar-se-ão em novos trilhos, e muito provavelmente, lançarão ainda este ano um outro guia, o qual ponderam chamar «A Via Algarviana: parte 2». As publicações eletrónicas pode ser descarregadas através da Amazon (www.amazon.com) ou da iTunes (https://itunes.apple.com), e custam 2,99 libras (aproximadamente 3,50 euros). Pode ainda descobrir todos os títulos ou contactar diretamente os autores através do website http://camau.co.uk