Uma nota de imprensa do deputado social-democrata Cristóvão Norte, enviada na semana passada, denunciava que as urgências da unidade de Portimão do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) estavam a funcionar a meio-gás, com escalas que chegavam a ser inexistentes.
O social-democrata referia que, em agosto, «a urgência do Hospital de Portimão, apenas funciona a 60 por cento da capacidade definida para o CHA para assegurar a resposta assistencial adequada. Em Lagos, a 75 por cento». Dando como exemplo, a unidade de Portimão, o deputado do PSD apontava casos, como o de sábado passado, em que no período noturno não haveria cobertura do serviço de urgência.
«Multiplicam-se as falhas e o mapa de distribuição de médicos mostra que o serviço não está operacional. Trata-se de uma situação grave e indesejada, a qual deve ser prontamente resolvida», alertava. Para apoiar as afirmações, apresentou um mapa com escalas de serviço, embora o campo reservado para a assinatura dos diretores do serviço de urgência, estivesse em branco.
Cristóvão Norte reforçava que é público que os serviços do CHA se «debatem com escassez de recursos humanos, em particular médicos de diversas especialidades, mas também outros clínicos».
Na sequência desta notícia, publicada na edição online do «barlavento», o CHA contesta as afirmações do deputado, garantindo que a resposta médica nas urgências de Portimão e Lagos está assegurada com o número de médicos dentro dos limites previstos.
«O documento indevidamente tornado público, trata-se de um documento interno de trabalho, datado de 5 de agosto, logo extemporâneo, o qual, por força da sua qualidade de documento de trabalho, é dinâmico e mutável, tendo sido objeto dos ajustamentos necessários para garantir a resposta assistencial adequada, incluindo o mencionado dia 20 de agosto que, ao contrário do que é erradamente afirmado na notícia, tem as escalas devidamente asseguradas», contrapôs o CHA, evocando o direito de resposta.
Também as escalas médicas, segundo esta fonte, têm sido asseguradas dentro da normalidade. Aliás, sempre que «se verificam situações pontuais de falhas imprevisíveis, as mesmas são colmatadas por mobilização interna de recursos, entres as unidades» do CHA, ou «através do recurso à contratação de serviços médicos».
Por último, o CHA considera que não há motivos para a população recear falhas de resposta assistencial como aquela que o documento tornado público por Cristóvão Norte, indicia.
Contactado pelo «barlavento» António Eusébio, presidente do PS Algarve e também deputado, explicou que a saúde chegou a um ponto crítico com «Pedro Nunes, que esteve no CHA até ao primeiro trimestre deste ano», não sendo a falta de médicos algo que se verifica apenas agora.
«Começou há mais de dois anos e meio com as alterações que foram feitas. Além disso, associado há a falta de manutenção dos equipamentos, as alterações de pessoal, a imensidão de problemas levantados no CHA, o arrastar de situações com as alterações criadas com a Administração Regional de Saúde, que levou a que existissem alguns atrasos e falta de médicos consequentemente também nos centros de saúde», enumerou o socialista, acrescentando que a situação não está tão má agora como «esteve no passado» recente.
«Infelizmente, este alarmismo que o senhor deputado do PSD Cristóvão Norte veio agora levantar» deveria ter sido «levantado nos anos anteriores, quando as situações eram piores. Aliás, na altura, resguardavam-se atrás do problema da má imagem» que este assunto provocava «ao turismo», comparou.
«Agora não tem qualquer pejo em colocar estas questões cá fora, quando a responsabilidade é deles e devido às políticas do PSD» com problemas que serão muito difíceis de ultrapassar, «porque é preciso muito investimento e dinheiro», justificou António Eusébio. Capacidade financeira para investir mais na saúde que o país não tem, sublinhou. O socialista garantiu que o PS Algarve continuará a fazer as diligências necessárias junto da administração central e do Ministério da Saúde, da ARS e do CHA para que «tudo funcione da melhor maneira».
A verdade é que, por coincidência, na mesma semana, apesar do esclarecimento do CHA, também o executivo camarário de Lagos divulgou a aprovação, por unanimidade, datada de 17 de agosto, de uma moção pela defesa da qualidade dos serviços de saúde prestados no concelho.
Segundo a socialista Joaquina Matos, presidente daquela autarquia, o «direito à saúde é um dos direitos essenciais que a Constituição da República Portuguesa consagra e, infelizmente, a atual situação dos serviços de saúde prestados no Hospital de Lagos é cada vez mais dramática».
A moção foi aprovada, tendo como base a escala médica do Serviço de Urgência com inúmeros turnos em falta, existirem dias em que este serviço só tem um médico e às diversas horas que os utentes aguardam para o atendimento.