O movimento «Pop Art» é a matriz inspiradora da nova imagem gráfica «mais ousada e visualmente estimulante» da principal sala de espetáculos de Faro. «É uma comunicação audaz e atual que procura relacionar-se com um público mais jovem», explicou Gil Silva, diretor-delegado do Teatro das Figuras, na sessão de apresentação, na quarta-feira, dia 24 de janeiro. Fazendo uma contabilidade rápida, em «2017 batemos o nosso recorde de espetadores, com um total de 48419, em 117 espetáculos apresentados em 146 sessões, ou seja, em média por semana tivemos 2,5 espetáculos, o que diz bem do dinamismo e vivacidade deste espaço», referiu.
«Continuamos a apostar em espetáculos cujo risco é suportado pelas companhias e produtoras que acolhemos, sendo que 56 por cento foram apresentados na modalidade de partilha de bilheteira», resumiu. Este ano, o equipamento terá um orçamento que ultrapassa 850 mil euros, que além da programação, servirá para melhorias na infraestrutura física.
Paulo Santos, vice-presidente da Câmara de Faro, também presente na sessão, explicou que ao longo dos últimos dois anos têm sido feitos investimentos em melhorar os equipamentos de luz e som. Agora está na altura de melhorar os acessos de serviço, e área frontal do Teatro que denota alguma degradação no pavimento. Na fachada lateral o ecrã gigante foi retirado «por estar em fim de vida», estando agora em estudo a possibilidade de ser substituído por outro, ou pela solução tradicional das telas.
Segundo Gil Silva, ao longo dos últimos anos, a programação tem sido «multidisciplinar e eclética, de modo a abranger diferentes áreas artísticas e diferentes públicos, cumprindo o papel de dinamizador e polo cultural de excelência da região».
Este ano será inovadora, com «uma nova dinâmica, projetos artisticamente mais arriscados e apostas na criação local com vista a dar visibilidade e sustentabilidade às companhias e produtoras locais», embora, «sem descurar a oferta mais main stream».
Uma novidade é que «decidiu-se programar a quatro meses em vez da programação bimensal existente. Esta alteração pretende dar maior sustentabilidade à programação, numa lógica de continuidade e para que o nosso potencial público consiga programar com maior antecedência as suas opções culturais», referiu.

Assim, no primeiro quadrimestre «destacamos desde logo três ciclos programáticos, sendo que dois deles irão acontecer ao longo de todo o ano».
O primeiro é o ciclo «Às Quintas no Teatro», que irá mostrar «espetáculos mais alternativos nas diferentes áreas artísticas».
O ciclo começa no dia 1 de fevereiro com o espetáculo Dança de Francisco Campos, com Leonor Keil, Francisco Campos e João de Brito numa coprodução entre o projeto Ruínas e a companhia farense LAMA.
Continua em março com o espetáculo de dança contemporânea Unbounded, que «explora através da dança a questão da criação da identidade». Além da apresentação para o público, haverá uma especial para o público escolar. No mês seguinte, será a vez da ópera baseada no poema de Fernando Pessoa, «Tabacaria», numa encenação de Alexandre Lyra Leite, com música de Luís Soldado e direção musical do maestro Rui Pinheiro. «Esta ópera tem a particularidade de ter como intérprete principal Rui Baeta, outro artista farense», revelou Gil Silva.
O segundo ciclo, também a acontecer ao longo de todo o ano será o «Porto em Faro», que trará à capital algarvia «companhias e produtoras da cidade do Porto que têm um trabalho cada vez mais reconhecido a nível nacional e algumas delas mesmo a nível internacional».
São exemplo, a companhia Circolando (dia 24), com a peça «Climas», e em abril mais duas propostas, «A Tecedeira que Lia Zola» do Teatro Experimental do Porto, numa encenação de Gonçalo Amorim e o bailado «A Ballet Story» do coreógrafo Vítor Hugo Pontes.
O terceiro ciclo é já uma continuidade de anos anteriores. Trata-se de «Noites do Sofá», em que «transformamos o nosso palco numa sala de estar, criando uma atmosfera muito peculiar de simbiose entre artistas, público e o próprio espaço envolvente».
Começa no dia 1 de março com um projeto local, «Riding a Meteor», um concerto ao vivo do qual resultará a gravação de um CD.
No dia 2 de março será a vez do o projeto «Harmonies», uma reinterpretação da obra de Eric Satie, por Joana Gama, Luís Fernandes e Ricardo Jacinto e a fechar o ciclo a banda «Six Organs of Admittance», projeto do guitarrista americano Ben Chasny que virá apresentar o seu último álbum.
Ainda no mês março, acontecerá o Festival Internacional de Guitarra, uma parceria entre a Associação de Guitarra do Algarve e o Teatro das Figuras. O mês encerra com a apresentação de «O Último Dia de um Condenado», uma peça com Virgílio Castelo sobre o último condenado à pena de morte em Portugal, e por fim, um concerto com Rui Veloso .
Em abril, «destacamos um projeto musical de funk brasileiro de uma artista muito especial Liniker e os Caramelows. Teremos ainda o regresso dos Commedia à la Carte e finalizamos o mês com a fadista Raquel Tavares que apresenta o seu último álbum de tributo a Roberto Carlos», referiu ainda Gil Silva.
No âmbito da programação do Serviço Educativo, «apresentaremos coproduções com companhias locais, bem como oficinas que têm tido enorme sucesso. Neste trimestre «Daqui vê – se Melhor», uma peça que aborda a história do Teatro, e a peça de dança «O Homem que só pensava em Números», uma abordagem à dança numa perspetiva matemática.
Por fim, regressa o ciclo «Ideias em Palco» comissariado pelo professor João Guerreiro, «tendo a particularidade de este ano, alguns dos grandes temas da atualidade serem apresentados por mulheres, assim como a continuação do ciclo de tertúlias No Teatro às 6 sempre com um convidado ligado às artes de palco e sempre à mesma hora».