É um restaurante em tudo igual aos outros, exceto na missão. «Este projeto surge no âmbito da unidade de formação profissional da AAPACDM, na sequência de uma candidatura apresentada ao prémio
BPI capacitar de 2014, que financiou cerca de 30800 euros», explica Carlos Roque Figueira, presidente da direção há dois anos e meio.
A maioria da verba destinou-se às obras, a intervenção mais onerosa. Os restantes oito mil euros necessários para os equipamentos foram angariados junto da comunidade estrangeira residente e de várias entidades e particulares.
O novo espaço vai funcionar como um simulador, no qual, jovens com deficiência intelectual treinam em contexto real de trabalho, tudo o que aprenderam nos cursos de cozinha e de empregado de mesa facilitados pela unidade de formação profissional da AAPACDM, resposta que funciona há cerca de seis anos.
«A nossa formação é certificada e temos ainda outros cursos, como manutenção hoteleira, empregado de andar e operador de jardinagem. Têm procura quer pelos formandos interessados, quer pelas empresas que já vão conhecendo a autoridade dos cursos, os benefícios e a capacidade das pessoas que cá temos. Um objetivo deste restaurante é que os nossos formandos não sejam apenas colocados nas empresas, mas que mantenham o seu posto de trabalho» depois dos estágios.
«Achamos vai permitir-lhes treinar o trabalho em situações de stress, de pressão, de crítica até. Acreditamos que é uma forma de encurtar o hiato entre trabalhar num ambiente protegido, como vinha a acontecer até aqui, e a realidade» do mundo profissional.
Mas o «Compromisso» também tem algo a ensinar à comunidade. Isto é, dar a conhecer as reais as capacidades da população com deficiência. O contacto mais frequente com o mundo real, aumenta a autoestima dos formandos e «abre o caminho para uma cidade mais justa e mais inclusiva».
«A ideia não é entrarmos em concorrência direta com os demais estabelecimentos, até porque temos uma vocação formativa. Mas iremos promover refeições temáticas, solidárias, workshops e fornecer certames», com vista à auto-sustentabilidade do projeto.
«Quem quiser visitar-nos, almoçar ou jantar cá, poderá fazê-lo. Basta que nos informe com antecedência, para conciliarmos toda a logística», pede Carlos Roque Figueira, que estima o valor da refeição a partir dos cinco euros por pessoa.
«Chegar até aqui é um caminho longo de 47 anos. Atingiu o ponto culminante em 2013 com a atribuição do grau de excelência na prestação de serviços sociais». A AAPACDM tem cerca de 300 utentes e uma «significativa lista de espera».