Passados 140 dias após o lançamento da primeira pedra da obra mais esperada pela população portimonense, a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Companheira alcançou mais um marco, com o início da betonagem da laje de fundo do reator biológico, na quinta-feira, dia 11.
No total, estão a ser colocados 2000 metros cúbicos de betão, em doze vezes, cada uma preenchendo, em média, 160 a 170 metros cúbicos, o que representa 20 camiões carregados e 8 a 9 horas de trabalho por descarga. O primeiro quadrado a ser betonado deverá ter uma dimensão de vinte por vinte metros. Segundo adiantou um técnico da empresa ao «barlavento» que acompanhou o início desta empreitada, estão previstas duas betonagens por semana. Assim, estima-se que demore cerca de seis semanas até a laje estar concluída.
O reator é apenas uma das estruturas da nova ETAR, mas é uma espécie de centro nevrálgico, onde a matéria orgânica sofre a oxigenação, permitindo o tratamento biológico das águas residuais.

Joaquim Peres salientou que o cumprimento dos prazos só é conseguido, porque há uma boa relação entre as entidades envolvidas, como a Águas do Algarve, a Câmara Municipal de Portimão, a Agência Portuguesa do Ambiente – ARH e o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas. «Todos estão a fazer o melhor possível» para que, tal como disse «no lançamento primeira pedra, ao fim de 719 dias possa inaugurar a obra», relembrou.
Esta etapa pode parecer simples, mas levanta problemas técnicos que a empresa tem que acautelar. Além da simples colocação do betão, tem de ser realizada uma cura, para garantir que não há fugas, nem fissuras. «O betão, para fazer a cura, vai aumentar o calor. A reação química aumenta o calor e faz a água evaporar. Como o cimento precisa de água para hidratar e funcionar, temos que manter água ali para que ele não apresente fissuras», explicou.
Por outro lado, como a betonagem não é contínua, para assegurar a estanquidade, são colocadas juntas water stop. Também o betão a utilizar (C35/45) fornecido a partir da central de betonagem de Odiáxere, concelho de Lagos, é especial, embora normal neste tipo de obra. É resistente à compressão e aos ataques ambientais, como a água residual.
Além de lidar com uma zona muito populosa, a nova ETAR vai estar sujeita a uma pressão sazonal, já que no verão, «a população aumenta exponencialmente», referiu o presidente da empresa. A curto prazo, um dos objetivos é terminar de vez com o mau cheiro que se faz sentir nesta zona do Arade. Assim que estiver cem por cento operacional, vai «melhorar a qualidade de vida» de residentes e turistas.
«Quase que me atreveria a dizer que fazia os escritórios da administração da Águas do Algarve aqui», à semelhança do que aconteceu em Lisboa, quando os escritórios passaram «da Defensor de Chaves para a ETAR da Avenida de Ceuta», afirmou Joaquim Peres, em jeito de voto de confiança neste novo equipamento. Ainda que possa haver uma avaria pontual, o cheiro, que tem sido o cartão de visita para Portimão, deverá ser apenas uma má recordação a partir de março de 2018.
A primeira pedra foi lançada a 23 de março, com o presidente da Águas do Algarve, a marcar 720 dias para a inauguração da obra. Passados 140 dias a intervenção cumpre o prazo previsto para a conclusão.