Tirar selfies é uma prática muito moderna, mas em Portimão vai permitir uma viagem ao passado, redescobrindo memórias e recordações da cidade. Esta é a ideia da Junta de Freguesia de Portimão, que a partir de abril, convida residentes e turistas a desfrutar da beleza atual de seis pontos da cidade, e ao mesmo tempo, a descobrir como eram há cem anos.
O desafio é comparar as diferenças. O projeto chama-se «Janela da História» e, numa primeira fase, contempla a colocação de quatro bancos na zona ribeirinha, um na Praça da Alameda, e outro na Fortaleza de Santa Catarina, na Praia da Rocha. A localização é avançada por Álvaro Bila, presidente da Junta de Freguesia de Portimão, organismo que financia o projeto, com o apoio da Câmara Municipal, através do Museu, e da designer Daniela Braz, da agência Porquê Design.
Na prática será um banco de betão branco, com 80 centímetros de largura, 40 de altura e 50 de profundidade, que tem um canto em vidro nas costas, com uma foto antiga embutida, descreveu ao «barlavento» a designer Daniela Braz.
«Tentei dar uma segunda utilidade à fotografia. Ou seja, achei que colocá-la somente seria pouco. Então pensei numa peça [diferente], porque não é um banco para as pessoas se sentarem» durante muito tempo, mas para «desfrutarem um bocadinho do espaço», explicou.
A intenção será mesmo sentar, apreciar, tirar uma foto, seja uma selfie ou não, e continuar o passeio. É possível ver a foto de ambos os lados do banco, sendo que nas costas é complementada com informação relativa à envolvente.
Tanto as fotografias, como os conteúdos sobre os pontos de interesse, segundo a designer, foram fornecidos pelo Museu de Portimão. Até porque outra das ideias é criar uma aplicação associada ao projeto, que, através de um código Querq, dê acesso a mais informação sobre os pontos de interesse, sobre os locais e sobre o passado de Portimão.
Daí o nome «Janela da História». As pessoas conseguem saber um pouco mais sobre o que se passou nestes locais há um século. No entanto, o nome também está ligado à peça. «É transparente e em vidro». O aspeto «translúcido» permite ver as duas fases, a antiga e a atual, ao mesmo tempo, esclareceu Daniela Braz. Isto porque, «os bancos serão mesmo colocados nos sítios onde aquelas fotografias foram tiradas. Não sei se vamos conseguir que seja mesmo no local exato, por causa das irregularidades do piso, mas a ideia é essa», justificou.
O vidro escolhido será resistente (laminado e temperado) para evitar cair se houver um pequeno embate. E caso seja um sucesso, o projeto poderá ser alargado a outros locais da freguesia, estando previsto mais dois ou três por ano. Será pois, para ter continuidade.
O presidente da Junta de Freguesia de Portimão considera que é necessário «ter orgulho no passado, para respeitar e preparar o futuro». Há, no entanto, outro motivo para este projeto surgir. «São fotografias de há um século, indo ao encontro das comemorações dos cem anos da nossa freguesia», adiantou Álvaro Bila.
Por outro lado, este projeto desenvolve um contributo das propostas dos eleitos da Assembleia de Freguesia, que consideraram importante colocar fotografias antigas da cidade. O executivo aceitou, o repto foi lançado à designer e o projeto já tomou forma, nesta parceria entre ambos e o Museu.
Assim, o banco na Praça da Alameda terá uma imagem da praça antiga, por exemplo, enquanto na zona ribeirinha haverá uma da ponte velha. Até ao próximo mês, todos os bancos devem estar colocados, caso não haja entraves das entidades com jurisdição por alguns destes espaços. «Já temos tudo preparado, falta-nos as licenças, já solicitadas, à Administração dos Portos de Sines e do Algarve e ao Ministério da Cultura», garantiu Álvaro Bila.
Será um projeto que relembra como a cidade foi, mostrando também aos turistas e às gerações mais novas, a uma nova escala, com a interação das novas tecnologias, um passado já longínquo.