É «uma boa notícia» para a região caso venha a ser implementada, segundo disse aos jornalistas Luís Miguel Ribeiro, presidente do conselho de administração da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), à margem de uma sessão pública de esclarecimento, sobre a operação das aeronaves que descolam e aterram do Aeroporto de Faro, na segunda-feira, 1 de abril, na sede da Região de Turismo do Algarve.
A nova rota de saída da pista 28, a que é mais utilizada, levará os aviões a um ponto de navegação em direção ao mar, mais longe e mais alto, antes da viragem para norte, de forma a aliviar a pressão do ruído sobre Quarteira, que «sofre muito, mas queixa-se pouco», conforme explicou na sessão o diretor da torre de controlo, Fernando Dutra, da NAV, empresa que controla o tráfego aéreo em Portugal.
«A população de Albufeira tem sido mais vocal, mas nem sequer é a mais afetada no Algarve com o transporte aéreo na região. Faro e Quarteira, com as descolagens, experienciam níveis de ruído substancialmente superiores. Esse problema também tem sido encarado pela ANAC e pela própria NAV, e estamos a tomar medidas», disse o responsável.
«A descolagem tem maior grau de liberdade em termos de trajetória do que as aterragens, em que o avião já tem de vir estabilizado a uma grande distância da soleira da pista. No caso da descolagem, isso não é necessariamente assim. Portanto, este prolongamento para o mar, da subida, poderá reduzir os níveis de ruído sobre Quarteira», confirmou Luís Miguel Ribeiro aos jornalistas.
Para já, «todos estes procedimentos estão a ser estudados e terão que entrar nas rotas pré-programadas ao nível da navegação aérea. Teremos que fazer todos esse procedimentos e desenhar rotas para os vários destinos a que os aviões se dirigem, e isso demora algum tempo. Não são cálculos simples, mas aquilo que a NAV nos diz é que tem esses procedimentos prontos até ao final do ano», explicou.
Numa altura em que o verão IATA já começou (a 31 de março), Fernando Dutra avançou que até ao final da época são esperadas 24 mil aeronaves, ou seja 48 mil movimentos (uma média de 114 aterragens e 114 descolagens diárias) de e para Faro, segundo avançou Fernando Dutra.
Um número que não agradou aos residentes de Albufeira, que se queixam do ruído das aeronaves que sobrevoam a cidade, antes de alinharem com a pista (10) para a aterragem. A situação, contudo, só acontece quando o vento está levante, e que no ano passado representou 27 por cento das operações (contra 73 por cento de aterragens na pista 28, vindas do lado de Tavira).
Os técnicos da ANAC explicaram ainda que ruído dos aviões que sobrevoam Albufeira, nem constam da Carta de Ruído do município, e que à altitude média a que passam (acima dos 3000 pés), estão abaixo dos limites internacionais.
Por outro lado, não é viável, nem possível desviar aquela rota de aproximação, porque hoje em dia, a maioria das aeronaves faz uma aproximação automatizada, chamada descida contínua, que aproveita a inércia e coloca os motores em idle, de modo a reduzir o consumo de combustível e o ruído. Por esta razão, quando a pista 10 está a funcionar, devido à direção do vento, os aviões vindos de norte, têm mesmo de passar por cima de Albufeira.
«Não se tratou de uma questão de escolha, tratou-se de uma questão de cálculo. Aquela é a rota óptima que minimiza a poluição e o ruído ambiente. Os aviões passam relativamente alto, sempre a mais de um quilómetro de altitude. Não é uma afirmação empírica, pois vimos todos os planos de voo dos últimos tempos. E passam numa minoria dos dias do ano. Todas as outras aproximações são feitas pelo lado de Tavira», explicou Luís Miguel Ribeiro.
«Naturalmente que esta não é uma situação fácil, aquilo que quisemos dizer aos albufeirenses é que não desenhámos aquelas aproximações à pista (10), de uma forma burocrática. Desenhamos aquelas aproximações porque são as que garantem menores níveis de ruído, menores emissões poluentes com a atual tecnologia», sublinhou.
«A mensagem principal que queríamos passar é que estamos atentos a estes problemas e que continuaremos a acompanhar a situação. Não achamos que sejam queixas menores, achamos que são preocupações legitimas a que tentamos corresponder», prometeu o responsável da ANAC.
Carlos Seruca Salgado pediu bom senso
«Já nem a FAGAR consegue limpar a minha caixa de e-mail», ironizou Carlos Seruca Salgado, vice-presidente da ANAC e antigo diretor do Aeroporto de Faro, que pediu bom-senso aos albufeirenses que antipatizam com os waypoints por cima da cidade e que não têm poupado nas mensagens de correio eletrónico dirigidos às entidades.
Salgado explicou que na realidade, a percentagem apontada (27 por cento) das aterragens que passam por Albufeira na final, poderá até ser menor. Isto porque companhias como a Ryanair, que voam com regularidade para Faro, fazem a descida por cima de Vilamoura, para poupar tempo e combustível na manobra de aproximação em descida contínua. «Temos todos de corresponder a ter um aeroporto que é de todos nós, que mexe com tudo.
Apesar de passarem por cima de Albufeira, os aviões voam em velocidade reduzida, com os motores em idle. E acrescento, como farense e residente, que Faro é a cidade que apanha com o barulho todo. A descer, a subir, para o lado. Será que se devia mudar o aeroporto?», brincou.


