O PT Tour 2026 concentra oito dos dez torneios no Algarve, num calendário de inverno com 105 mil euros em prémios e provas em Loulé, Lagos e Portimão.
O Algarve recebe oito dos dez torneios do PT Tour 2026, num calendário que distribui 105 mil euros em prémios e reforça a região como destino europeu de golfe de inverno. O circuito arranca em janeiro, em Vilamoura, e passa por alguns dos campos onde já se disputaram Opens de Portugal das primeiras divisões europeias.
A concentração de provas no sul do país não é acidental. Reflete uma estratégia que aproveita condições climatéricas favoráveis, infraestruturas consolidadas e campos reconhecidos internacionalmente para atrair jogadores profissionais e amadores de alto rendimento, numa altura em que os principais circuitos europeus ainda não arrancaram.
Algarve como base do circuito de inverno
«Receber o PT Tour nos nossos campos representa o reconhecimento da nossa capacidade para acolher competições de alto nível, não apenas pela qualidade e exigência dos layouts, mas também pelos destinos onde estamos inseridos: territórios com identidade, história e um legado sólido no golfe português», afirmou Nuno Sepúlveda, Co-CEO da DETAILS, gestora de campos em Vilamoura, San Lorenzo, Palmares e PGA Aroeira Lisboa.
O responsável destacou ainda as «mais de 300 dias de sol por ano» e equipas preparadas como fatores que permitem «proporcionar uma experiência competitiva consistente e alinhada com os padrões do circuito».
Vilamoura abre, Aroeira fecha
O PT Tour 2026 arranca em janeiro com dois torneios em Vilamoura, no concelho de Loulé. O Pinhal Golf Course recebe a primeira prova, de 5 a 7 de janeiro, seguindo-se o Millennium Golf Course, de 10 a 12 de janeiro. São dois desafios distintos: o primeiro marcado por árvores que estreitam os fairways, o segundo mais aberto e com muita água em jogo.
O circuito encerra em março no PGA Aroeira Lisboa, em Almada, com o campo n.º 1 a receber o nono torneio, de 1 a 3 de março, e o campo n.º 2 a acolher a final — o Optilink Tour Championship —, de 5 a 7 de março, com 15 mil euros em prémios.
«É relevante para os jogadores que o PT Tour encerre na Aroeira, porque será aí que irá jogar-se, mais tarde, em setembro, o Open de Portugal» do HotelPlanner Tour, explicou José Correia, promotor do circuito e antigo presidente da PGA Portugal.
Entre a abertura e o fecho, o calendário passa pelo Palmares Ocean Living & Golf Resort, em Lagos, pelo Morgado Golf Resort, em Portimão, e pelo San Lorenzo Golf Course, em Loulé.
Destino testado em provas internacionais
Vários destes campos já receberam Opens de Portugal masculino e feminino quando essas competições integravam as primeiras divisões do golfe profissional europeu. Vilamoura, Aroeira e Morgado figuram entre os palcos históricos dessas provas.
A experiência acumulada traduz-se em percursos preparados para o nível de exigência dos jogadores que militam nos principais circuitos internacionais. Daniel da Costa Rodrigues, n.º 1 do PT Tour 2025 e jogador do DP World Tour desde novembro, confirmou essa perceção.
«O set-up dos campos é excelente. São campos que preparam-nos bem para a época. Alguns são compridos, outros mais estreitos e há um mix-up muito bom», declarou o golfista português.
Janela estratégica no calendário europeu
O PT Tour ocupa uma janela temporal específica no calendário do golfe profissional. Os torneios decorrem entre janeiro e março, numa fase em que o HotelPlanner Tour ainda não arrancou.
«Este circuito para nós é muito importante porque é o início da época, portanto serve para os nossos principais atletas, quer masculinos quer femininos, das seleções amadoras», salientou Pedro Nunes Pedro, presidente da Federação Portuguesa de Golfe (FPG).
O dirigente acrescentou que «alguns atletas que estão a estudar e a competir nos Estados Unidos da América ainda têm hipótese de poder jogar um ou dois torneios, antes de partirem outra vez para lá».
Para os profissionais, o circuito funciona como preparação competitiva. «Ganhas ritmo competitivo para a época, porque são 10 torneios seguidos, sem muitas pausas, e é uma maneira excelente para começarmos a época», explicou Daniel da Costa Rodrigues, que destacou ainda a qualidade dos adversários: «há alguns jogadores do DP World Tour, há muita gente do Challenge Tour e ganhas ritmo competitivo».
Trampolim para circuitos maiores
A passagem de jogadores do PT Tour para circuitos de topo reforça a credibilidade do projeto. Daniel da Costa Rodrigues somou sete top-10 no PT Tour de 2025, incluindo uma vitória, antes de chegar ao DP World Tour.
Ricardo Melo Gouveia, outra referência do golfe português no DP World Tour, também jogou frequentemente no PT Tour. Ao longo dos anos, mais de uma dezena de portugueses conquistou torneios no circuito.
No Optilink Tour Championship, a prova-bandeira, Ricardo Santos venceu em 2022, no Victoria, em Vilamoura. Tomás Bessa impôs-se em 2023, no Laguna, também em Vilamoura, e Pedro Figueiredo triunfou em 2024, na Quinta do Peru, em Sesimbra. Em 2025, Tomás Melo Gouveia foi segundo classificado, em Palmares.
O circuito oferece ainda convites diretos para provas das segundas divisões europeias. O PT Tour renovou a parceria com a FPG que permite atribuir wild cards para a edição de 2026 do Open de Portugal. No setor feminino, «as duas jogadoras melhor classificadas na Ordem de Mérito irão receber wild cards para a edição de 2026» do Super Bock Ladies Open at Vidago Palace, do Ladies European Tour Access Series.
Uma novidade em 2026 é a parceria com o Torneio Capdeville Consulting. «O jogador internacional melhor classificado na Ordem de Mérito receberá um convite para o torneio de profissionais, em maio próximo», anunciou José Correia.
Das raízes algarvias à projeção nacional
O PT Tour tem raízes no Algarve. Criado em 2012 como Algarve Winter Tour, passou a Algarve Pro Golf Tour, depois a Portugal Pro Golf Tour e mantém hoje a designação PT Tour, sempre sob orientação de José Correia.
A evolução do nome reflete o crescimento do projeto, mas o Algarve permanece no centro do calendário. Oito dos dez torneios realizam-se na região em 2026, confirmando a aposta no sul como destino estratégico para o golfe de inverno em Portugal.