O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou que o governo já está, com as suas políticas, «a desfazer ilusões» a quem exigia mudança, afirmando que o executivo só trará uma resposta «inspirada nos anos da Troika».
«É ver como o novo governo PSD/CDS procura já justificações para não concretizar plenamente as promessas que foi fazendo a vários sectores dos trabalhadores. Aí está, a desfazer ilusões que foi espalhando por entre aqueles que, justamente, exigiram mudança», considerou Paulo Raimundo num comício em Matosinhos, no distrito do Porto, no sábado, dia 20 de abril.
Segundo o líder comunista, «a mudança e a resolução dos seus problemas não virá pela mão deste governo do PSD/CDS», de quem a única resposta possível de obter é “a resposta do retrocesso, do andar para trás, inspirada nos anos da Troika».
«Esses anos em que eles, com punho de ferro, destruíram e deram cabo das nossas vidas. É isto que os motiva, é isto que os inspira, é só isso que podemos esperar desta gente», exclamou Paulo Raimundo.
Perante um pavilhão lotado na Escola Secundária Gonçalves Zarco, em Matosinhos, o secretário-geral do PCP vincou que «para lá da propaganda, do folhetim, das horas de telejornal, das páginas nos jornais, a realidade é esta».
«Este governo promove ainda mais injustiça fiscal, baixando, isso sim, os impostos a quem mais tem, aos grupos económicos e àqueles que mais recebem», fazendo-o «persistindo na propaganda».
Paulo Raimundo acusou ainda o governo liderado por Luís Montenegro de «escancarar as portas dos cuidados de saúde àqueles que fazem da doença um negócio».
«Muito obrigado, para isso não queremos», vincou.

O secretário-geral comunista abordou ainda «o drama e o problema da habitação», acusando o executivo de «proteger a banca, os fundos imobiliários e, como se não bastasse, ir mais longe na liberalização de um sector que é um dos mais liberalizados» e «cujos resultados estão bem à vista».
Num comício com um enquadramento europeu, intitulado «Por uma Europa de paz, progresso e cooperação», e que contou com depoimentos de representantes de partidos da família política europeia do PCP, o secretário-geral vincou que as políticas do governo PSD/CDS «em nada infringem as regras da União Europeia».
«Bem pelo contrário, esta é a verdadeira política incentivada por Bruxelas», acusou, concluindo que «são antagónicos e incompatíveis os interesses dos trabalhadores e dos povos com os interesses dos grupos económicos, monopolistas e das multinacionais».
Fotos: PCP