Paulo Andrez, autor do livro «Zero Risk Startup», acredita que o «Algarve tem enorme potencial de apoiar empresas a ter escala global».
Com um percurso profissional digno de registo, Paulo Andrez torna-se uma referência a nível mundial com o lançamento do seu primeiro livro, «Zero Risk Startup» (em português, Startup Risco Zero), que aliás, apresentou no início de julho do ano passado, em Albufeira, tal como o barlavento noticiou.
Obra essa que atingiu o topo das vendas na área das startups (empresas em fase inicial) e capital de risco na Amazon nos Estados Unidos da América.
Nesta publicação, lançada no passado mês de maio, em Nova Iorque, o autor partilha um guia prático para aspirantes a empreendedores e investidores, onde explica como mitigar os riscos no lançamento de novos negócios e aumentar as hipóteses de sucesso, com mais de cem dicas e recomendações que se aplicam a qualquer país.
Um empreendedor em série, Paulo Andrez não esconde orgulho em ser o primeiro português a ter um livro publicado pela Forbes Books, a maior editora do mundo na área de negócios.
A versão americana do livro é já um best-seller em dez países, nomeadamente EUA, México, Canadá, Brasil, Espanha, Inglaterra, Itália, Holanda, Suécia, e Alemanha.
Já a edição portuguesa, editada pela Bertrand, teve o seu lançamento no passado mês de outubro com o apadrinhamento do comentador de política Marques Mendes. A obra está ainda a ser traduzida para, pelo menos, mais três línguas além de português e inglês.
A obra distingue-se pelo seu ponto focal singular. «Em vez de sugerir que se pense em grande e de forma ambiciosa e agressiva, centra-se no problema principal na criação de negócios, que tem a ver com o medo de falhar e o risco associado, tanto reputacional – associado às consequências para a vida pessoal e profissional, como tangível, dinheiro que se possa perder», explicou o investidor.
Nos EUA, «cerca de 60% dos americanos que trabalham por conta de outrem têm uma ideia de negócio e gostariam de a lançar, mas 92% desses 60%, não faz nada para o criar», salientou Paulo Andrez.
«A nível mundial, 45% da população adulta tem um projeto em mente, contudo apenas cerca de 9% toma iniciativa», acrescenta. Na sua ótica, há sempre soluções para as possíveis adversidades, independentemente da área de negócio em questão.
Como tal, recomenda, primeiramente, que se verifique a necessidade do produto ou serviço no mercado, falando com potenciais clientes e, no caso de existirem perspectivas positivas desses contactos, os empreendedores devem lançar o negócio.
De seguida, defende que o ideal será começar com uma pequena empresa e pouco dinheiro para que se possa testar o conceito e adquirir experiência.
Ainda que tenha nascido e crescido em Lisboa, Paulo Andrez sempre teve uma ligação muito forte ao Algarve. Como o pai é natural de Monchique e os pais vivem há mais de 20 anos em Alvor, o investidor passou muitas temporadas na região e decidiu adquirir propriedades no concelho de Loulé e Portimão.
Também a irmã escolheu o sul do país para se estabelecer e desenvolver o seu ateliê de design de interiores, Andrez Andrez Interiors, onde colabora com diversos hotéis e resorts em Portugal.
Desde cedo que a vertente empreendedora de Paulo Andrez se começou a manifestar. Aos 18 anos, enquanto estudava na universidade, iniciou a sua atividade empresarial com a venda de materiais de construção civil e jardinagem no Reino Unido, o que se prolongou por uma década.
«Eu queria ser empreendedor e criar uma empresa, mas não pretendia fazer grandes investimentos nem parar de estudar», revelou.
Um ano depois, enquanto frequentava a licenciatura em Engenharia Informática na Faculdade de Ciências e Tecnologia de Lisboa, desenvolveu um negócio em conjunto com um sócio, em que empregavam colegas para dar formação em computadores.
Posteriormente, no terceiro ano do curso, criou outra empresa, desta vez de cedência de recursos humanos na área de tecnologias de informação a bancos e seguradoras.
Essa empresa de cedência de recursos humanos revelou-se um sucesso e fez parte de um movimento de consolidação que levou a que Paulo Andrez se tornasse membro do núcleo duro do Grupo Novabase e a promover a sua entrada na bolsa Euronext em julho de 2000, bem como a investir em startups.
Em 2006, decidiu alienar a sua posição na Novabase e focar-se em investimentos em startups. Um ano mais tarde, fundou com a Câmara Municipal de Cascais, a DNA Cascais, uma «incubadora de excelência em Cascais que apoia o empreendedorismo e o comércio no concelho».
Concluiu também um MBA pela Universidade Nova de Lisboa e duas pós-graduações, uma em Gestão Imobiliária e outra em Ecoturismo numa parceria da Ordem dos Biólogos com o Instituto Politécnico de Gestão e Tecnologia (ISLA).
Atualmente, Paulo Andrez é presidente emérito da associação europeia de investidores em startups, European Business Angels Network (EBAN), depois de ter coorganizado, em 2007, o congresso europeu EBAN em Portugal, tendo sido eleito presidente da associação em 2012.
Em 2009, coorganizou o primeiro congresso mundial de investidores em startups em Pequim, e foi uma das figuras por detrás da criação da Federação Nacional de Associações de Business Angels (pessoas singulares que investem em startups e capital de empresas) em Portugal.
Em 2011, foi um dos impulsionadores do Fundo de Coinvestimento do governo português com os business angels, o que teve um grande impacto no mercado nacional.
No ano seguinte, recebeu o prémio europeu do melhor investimento em startups graças à sua aposta na United Resins, da Figueira da Foz, «um projeto fabuloso que apenas no primeiro ano faturou 24,5 milhões de euros», constatou o empreendedor.
Embora em 2019 se tenha mudado para a zona central de Londres – o centro financeiro da capital de Inglaterra – viaja por todo o mundo e partilha a sua experiência e conhecimento em diversos eventos e conferências.
Há mais de 15 anos que Paulo Andrez é um orador internacional frequentemente convidado para abordar temas como empreendedorismo, investimento, mitigação de risco e inovação, tendo dado palestras em mais de 50 países na Europa, América do Norte e do Sul, Ásia, África, Austrália e Nova Zelândia.
Devido ao seu papel de catalisador do movimento business angels em muitos países da Europa, foi recentemente galardoado em Bruxelas com o prémio de Lifetime Achievement da EBAN pela sua dedicação a esta comunidade europeia.
Sobre o Algarve, Paulo Andrez acredita que «existe um enorme potencial de apoiar empresas a ter escala global, aproveitando todo o know-how e contactos da comunidade estrangeira presente na região».
O livro «Zero Risk Startup» está disponível na Amazon (aqui).