Não são espetáculos modernos. Não há um palco catalizador dos sentidos. O órgão fica acima e atrás dos bancos da Sé de Faro. Os concertos são exercícios de fruição de um som antigo e pleno. Tem sido este o ingrediente-chave do Festival de Órgão de Faro, evento que em 2015 celebra a sua oitava edição. Os espetáculos são sempre aos sábados, às 21h30. O primeiro é a 7 novembro, por João Vaz, hoje o mais reconhecido organista português com uma intensa carreira, também docente universitário e investigador. O segundo momento acontece a 14 de novembro, pelo organista italiano/brasileiro Marco Brescia, músico habitual em festivais e ciclos internacionais. Nas últimas apresentações, o festival desloca-se para a Igreja do Carmo. A 21 de novembro, Rute Martins mostra a sua mestria como discípula do mestre Antoine Sibertin Blanc. A 28 de novembro, o festival fecha com um concerto de música de câmara com Diogo Pombo (órgão) e Nuno Miguel Silva (saxofone).
Refira-se que o órgão da Sé de Faro é um instrumento típico da escola nórdica-alemã barroca. Foi construído por Johann Heinrich Hulenkampf, discípulo de Arp Schnitger, o famoso mestre-construtor de Hamburgo em 1715. Sofreu diversas obras de restauro (algumas que o descaracterizaram), as mais importantes em meados dos anos 1970, na Holanda. Em 2006, o mestre Dinarte Machado fez uma revisão geral que custou 65 mil euros. Paralelamente, haverá uma exposição de fotografia, workshops de afinação e uma palestra. A organização é da Associação Cultural Música XXI com vários parceiros institucionais.