Grupo Lusíadas Saúde investe 60 milhões de euros na construção de um novo hospital na zona da Lejana, em Faro, que deverá abrir no final de 2026.
A confirmação foi dada por Vasco Antunes Pereira, presidente executivo (CEO) do Grupo Lusíadas, ao barlavento, à margem do 1.º Congresso Económico do Algarve, organizado pela ACRAL, no auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, em Faro.
«O Grupo Lusíadas tem feito, desde há muitos anos, investimentos no Algarve. Há sete anos ficámos sem a nossa unidade principal, que carecia de patologia que não era resolúvel. Nessa altura, iniciámos um processo de estudo e de avaliação de onde é que deveríamos colocar uma nova unidade. Mantivemo-la em Faro. E, portanto, aqui vai nascer, em 2026, um novo hospital que pretende ser altissimamente inovador, uma oferta única no Algarve com tudo aquilo que existe de última tecnologia. E pretende ser a referência do Grupo», afirmou.
A nova unidade, segundo o responsável, terá «mais de 15 mil metros quadrados (m2) e três pisos. Será um hospital dotado de toda a mais recente tecnologia, com blocos operatórios de elevada complexidade, robôs cirúrgicos, unidades de cuidados intensivos e de cuidados intermédios».
Questionado sobre a origem dos recursos humanos para a nova unidade, Vasco Antunes Pereira garantiu que será dada prioridade aos profissionais da região.
«Julgo que vamos trabalhar com as pessoas do Algarve. A saúde é essencialmente local e não muito passível de importar recursos. Há um movimento de profissionais de saúde que pretendem alterar a sua vida. Mudaram-se há muitos anos para Lisboa e para o norte do país, mas pretendem voltar para o Algarve. Queremos dar as condições para que as pessoas voltem para reforçar uma oferta que é muito necessária na região. Portanto, a mim parece-me, e se quiser por ordem, primeiro investir em quem cá está, investir nos profissionais que estão no Algarve, capacitar, fazer o reskilling e upskilling das pessoas que atualmente residem aqui. E apoiar também esse retorno. Por último, naturalmente vamos atrair recursos para que possam vir reforçar a oferta no preenchimento de eventuais falhas», esclareceu.
O Grupo manterá ainda as clínicas já existentes em Faro, junto ao Mercado Municipal, e no centro comercial Forum Algarve, que vão continuar a funcionar de forma independente.
«A expectativa é que nós continuemos a ter uma unidade de ambulatório aqui no centro de Faro, que vai continuar a servir para cuidados de proximidade e numa ótica de cuidados que não tenham necessidade da complexidade de um hospital. Portanto, vamos manter a oferta. No Forum Algarve, estamos a reforçar aquilo que é a nossa oferta de cuidados de saúde dentária, de saúde oral e que vamos continuar a fazê-lo», referiu.
Uma das componentes diferenciadoras e inovadoras da nova unidade será «na saúde mental, em que procuramos ter uma oferta abrangente à imagem da que já temos noutras regiões do país».
O CEO defendeu que ainda deve haver uma maior complementaridade ou uma maior articulação entre privado e público e que deixe de haver preconceitos.
«Absolutamente. Nós não temos, e aqui julgo que falo pela maioria dos parceiros e da nossa concorrência, antagonismo com o sector público. Estou na saúde há muitos anos e aquilo que eu assisto é que muitos governantes acentuam muitas vezes o discurso na criação destas pontes, mas depois, de facto, isso não se traduz em realidade. E , no final do dia, o que acontece é aquilo que assistimos todos os dias».
«Portugal, infelizmente, tem na abertura dos seus telejornais notícias sobre saúde, sobre carências de recursos e isto não é por uma situação estrutural existente no país. Isto é por um conjunto de decisões que estão a motivar que isto aconteça. A título de exemplo, o Grupo Lusíadas tem, provavelmente, ou a primeira ou a segunda, eventualmente o top 3, das maiores maternidades do país. Isto há 10 anos atrás não acontecia, os grupos privados não tinham este número. Não é porque deixou de haver recursos no sector público que isto acontece, é porque há uma desorganização e uma ausência da articulação. Portanto, o que nós gostávamos é de contribuir, ativamente, para que todos possamos ter uma saúde melhor», afirmou.
«Obviamente que há inúmeras oportunidades pontuais, mas também existe uma cota parte de responsabilidade da componente governativa em querer fazer isto acontecer, em querer que isto seja uma realidade. Nós temos estado disponíveis, vamos continuar a estar disponíveis e temos apoiado o Hospital de Faro com aquilo que tem sido as suas necessidades ao longo do tempo. Vamos continuar a apoiar, mas julgamos que estamos a fazer uma pequena parte do que podemos fazer para o todo».
O responsável destacou ainda a importância da ligação com a Universidade do Algarve (UAlg) e o Mestrado Integrado em Medicina.
«É muitíssimo importante. Nós temos uma forte ligação à academia, temos um centro que denominamos de Lusíadas Knowledge Center, que basicamente o que faz é dar apoio a toda a componente académica dos nossos profissionais e serve de suporte a todas as iniciativas de investigação e de estudos. Temos o nosso elemento aqui no Algarve, faz parte da UAlg, portanto há aqui componentes absolutamente complementares àquilo que é a nossa atividade. A faculdade é, sem dúvida, um elemento estratégico para nós».
O antigo Hospital Lusíadas Faro, na Rua Infante D. Henrique, encerrou a 7 de dezembro de 2018, após fiscalização da Entidade Reguladora da Saúde (ERS).
Na altura, a ERS detectou falhas na infraestrutura elétrica do edifício, o que motivou a suspensão imediata das atividades.
Depois do encerramento, o grupo anunciou que parte da atividade hospitalar passaria para a Clínica Lusíadas Faro, a Clínica Lusíadas Forum Algarve e o Hospital Lusíadas Albufeira.

