O novo ministro das Finanças Mário Centeno fez a sua primeira intervenção pública ontem, sábado, 28 de novembro, no IV Fórum Empresarial do Algarve, organizado pelo LIDE Portugal – Grupo de Líderes Empresariais, afirmando que o Governo está comprometido em criar melhores condições de investimento para as empresas. Mário Centeno garantiu ainda que o Executivo «reafirma o compromisso de reduzir o défice e a dívida pública nesta legislatura», e que «o Governo honrará todos os seus compromissos internacionais, nomeadamente no âmbito da União Europeia».
O ministro comprometeu-se a criar melhores condições de investimento, assim como com a promoção das condições necessárias para o crescimento económico e para o rigor das contas públicas, para «colocar o país no caminho do sucesso».
Mário Centeno pretendeu deixar «palavras de tranquilidade e confiança» no seu primeiro discurso como responsável da pasta das Finanças, e destacou que entramos num tempo novo, com uma «governação em nome de todos», por mais crescimento, melhor emprego e maior equidade. Referindo-se às políticas de austeridade, o ministro frisou que «não recuperamos competitividade pelo empobrecimento coletivo, pela precarização do trabalho. A austeridade não gera crescimento, debilita a economia e a sociedade».
Chega agora o tempo de «pensar no Portugal do futuro, pensar nas responsabilidades do Estado». «É crucial utilizar fundos europeus», estando a condução deste processo económico nas empresas, realçando que «o esforço das empresas esteve presente em todos estes anos, empregadores e colaboradores fizeram um notável esforço para manter as empresas», acrescentando que, e referindo-se ao compromisso da redução da dívida e do défice, «agora queremos novas contratações, o que pressupõe confiança nas instituições».
64% dos empresários considera que a situação atual do negócio está melhor face há um ano
O Índice LIDE – Católica Lisbon de Conjuntura Empresarial, realizado com os participantes no Fórum Empresarial do Algarve, e questionando os empresários presentes sobre a situação dos seus negócios, revelou que 64% dos inquiridos refere que a situação atual do seu negócio está melhor face ao ano anterior, 22% considera que está igual, e 14% pior.
O estudo, apresentado por Francisco Veloso, diretor da Católica Lisbon School of Business, mostrou que relativamente ao funcionamento e organização do Estado, 33% dos empresários considera que está regulares, 22% mau e 16% bom; sendo que o principal fator que impede o crescimento da sua empresa é, para 29% a procura, para 25% o cenário político, para 25% o acesso a financiamento, e para 20% a carga fiscal.
54% dos inquiridos prevê contratar no curto prazo, 29% manter os postos de trabalho, e 17% despedir. Quanto às receitas face há um ano, 58% diz que são superiores, 22% inferiores e 20% iguais. Relativamente às receitas internacionais, face ao ano anterior, serão superiores para a maioria dos inquiridos, cerca de 52%, sendo que para 33% dos gestores se mantêm.
O IV Fórum Empresarial do Algarve decorre este fim-de-semana, em Vilamoura, com a presença de governantes, decisores, empresários, etc., dos principais setores da economia nacional, sob o tema «2020, Portugal e o Mundo».
O Fórum termina hoje, 29 de novembro, com a conferência «A crise politica», às 11h15, com o Henrique Neto, candidato presidencial, António Vitorino, político, António Ramalho, presidente da Infraestruturas de Portugal, e André Gorjão Costa, CFO dos CTT – Correios de Portugal SA, moderados por António Costa, jornalista. A proposta do FEA 2015, organizado pelo LIDE Portugal – Grupo de Líderes Empresariais, passa pelo debate do futuro do País face à instabilidade política atual, bem como das condicionantes económicas e sociais que o mundo atravessa, em particular a Europa.