A tutela reconhece que 2021 e 2022 foram anos «atípicos» de abandono escolar e nas taxas de sucesso, pelo que os retira, comparando-os a 2020, afirmando que a «tendência portuguesa se mantém».
O Ministério da Educação (ME) reconheceu hoje que 2021 e 2022 foram «anos atípicos tanto no abandono escolar como nas taxas de sucesso» e que, comparando o ano passado com 2020, continua a haver menos abandono precoce.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a taxa de abandono precoce da educação e formação em Portugal aumentou 1,5 pontos percentuais no ano passado, chegando aos oito por cento e quebrando a tendência gradual de diminuição que se registava desde 2017.
Questionado pela Lusa sobre os eventuais motivos para este aumento, o gabinete do ME explicou que o INE teve de rever em alta os números de 2021 e 2022, «tendo em conta que o método de recolha apenas por telefone terá levado a uma subestimação do valo».
Se em 2020, o abandono estava nos 9,1 por cento, nos dois anos seguintes desceu para 6,7 por cento e 6,5 por cento, respetivamente, segundo os quadros do INE.
«Não obstante, regista-se um aumento da taxa de abandono coerente com outros dados existentes sobre o desempenho dos alunos na série desde 202», afirma o ME
O Ministério reconhece que «2021 e 2022 foram anos atípicos tanto no abandono escolar como nas taxas de sucesso», tendo ambos melhorado naqueles dois anos e «piorado no ano seguinte».
Por isso, a tutela retira esses dois «anos atípicos» e compara 2023 com 2020 para concluir que «a tendência portuguesa se mantém», voltando a registar-se “uma redução anual da taxa de abandono escolar precoce de cerca de um por cento a 1,5 por cento por ano, superior à média europeia».
«A diversificação de percursos no ensino secundário e a deteção precoce de dificuldades, inerente às estratégias do Programa Nacional para a Promoção do Sucesso Escolar», levou a um aumento de alunos no ensino secundário, acrescenta o ME.
Na resposta à Lusa, o ME salienta ainda que Portugal manteve níveis de abandono escolar precoce abaixo da média europeia e foi «um dos países que mais rapidamente reduziu esta taxa».
Os rapazes continuam a ter taxas muito superiores de abandono escolar quando comparadas com as raparigas, uma vez que quase um em cada dez deixa de estudar antes do tempo.
O Algarve continua a ser a região do continente com mais problemas, por oposição ao norte do país, onde menos alunos deixam a escola precocemente.
Em 2016, 14 por cento dos jovens portugueses deixavam de estudar antes do tempo, ou seja, o dobro dos números atuais registados no continente.
Em 2020 chegou aos 8,9 por cento, tendo ficado abaixo do objetivo traçado para esse ano e, pela primeira vez, abaixo da média europeia.
A União Europeia estabeleceu como meta para 2030 uma taxa de abandono escolar precoce abaixo dos nove por cento.
A taxa de abandono escolar permite identificar a percentagem de jovens que não concluiu o ensino secundário, nem se encontra a frequentar qualquer modalidade de educação e formação.