O candidato presidencial Manuel João Vieira afirmou que o dia de hoje é importante para a democracia e defendeu o combate à abstenção eleitoral.
«Acho que este dia é um dia importante para a democracia, é um dia em que o voto é direto, o voto é direto numa individualidade, numa pessoa», afirmou Manuel João Vieira, após votar na Escola Básica Manuel da Maia, em Campo de Ourique, em Lisboa. O candidato contrapôs este modelo às eleições legislativas, que descreveu como mais dispersas, por seguirem «determinadas regras».
Manuel João Vieira confessou ainda que, em algumas eleições anteriores, chegou a recorrer a um «dó li tá» para decidir o sentido de voto, mas referiu que, desta vez, não deixou a escolha ao acaso.
O candidato presidencial destacou também que a abstenção tem sido «historicamente muito elevada» nas últimas duas décadas e defendeu que existe uma desvalorização da política por parte de uma parte da população.
«Há muita gente que se importa simplesmente mais com o futebol do que com a política», afirmou, acrescentando que as pessoas «são capazes de ir ao estádio ver futebol», mas revelam menos interesse pela vida política, o que associou ao desempenho dos deputados, que, na sua opinião, «não estão a dar toques na Assembleia da República».
Mais de 11 milhões de eleitores são hoje chamados a escolher o novo Presidente da República, que irá suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, impedido de se recandidatar por ter atingido o limite de mandatos. A eleição conta com 11 candidatos aceites, um número recorde.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Caso um dos concorrentes obtenha mais de metade dos votos validamente expressos, será eleito já hoje chefe de Estado. Se tal não acontecer, realizar-se-á uma segunda volta a 08 de fevereiro, entre os dois candidatos mais votados.
Segundo a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, estavam inscritos nos cadernos eleitorais 11.039.672 eleitores à data de referência de 03 de janeiro, mais 174.662 do que nas eleições presidenciais de 2021.
Deste total, 218.481 eleitores recenseados no território nacional, incluindo o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, inscreveram-se no voto antecipado em mobilidade, que decorreu no passado domingo.
Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.
No boletim de voto constam 14 nomes, incluindo os de Joana Amaral Dias, José Cardoso e Ricardo Sousa, cujas candidaturas não foram aceites pelo Tribunal Constitucional devido a irregularidades processuais.