O dirigente socialista José Luís Carneiro apelou hoje à participação nas presidenciais e manifestou a expectativa de uma diminuição da abstenção.
«Todos aqueles que amam a democracia e que defendem a Constituição não podem ficar em casa. Têm mesmo de vir votar», afirmou José Luís Carneiro, após exercer o direito de voto, ao início da tarde, no Porto.
Para o dirigente do Partido Socialista (PS), «votar é um dever e um exercício essencial da cidadania», defendendo que as eleições de hoje assumem uma particular importância. «Não há, do meu ponto de vista, uma boa cidadania que não participe nas eleições e nas escolhas que se fazem democraticamente e, particularmente, num momento como este, em que estamos a escolher quem queremos ver na mais importante magistratura do país, a Presidência da República», disse.
O antigo ministro da Administração Interna agradeceu «a todas e a todos os milhares de pessoas que hoje, em Portugal e no estrangeiro, estão a apoiar» o ato eleitoral e manifestou a expectativa de que a abstenção seja inferior à registada nas últimas presidenciais. «Tenho a expectativa de que haja uma diminuição da abstenção em relação às últimas eleições presidenciais e tenho também os mesmos sinais vindos do exterior, do estrangeiro», afirmou.
José Luís Carneiro voltou a apelar à participação eleitoral e sublinhou que o dia é favorável ao voto. «É esse o apelo que deixo para que todas as portuguesas e todos os portugueses que amam a democracia, que amam o seu país e que defendem a Constituição se dirijam hoje à sua mesa de voto», declarou.
Sobre a campanha eleitoral, o dirigente socialista considerou que foi esclarecedora, embora reconheça que alguns temas, como a Saúde ou a Habitação, «talvez não tenham sido tratados com a profundidade que merecem». Acrescentou que esse trabalho deverá prosseguir no presente e no futuro, sendo também uma responsabilidade de quem vier a merecer a confiança da maioria dos portugueses.
Questionado sobre os efeitos de uma eleição com muitos candidatos, José Luís Carneiro admitiu que a dispersão de votos pode dificultar a clarificação do quadro eleitoral logo na primeira volta. «É evidente que muitas candidaturas provocam uma maior dispersão dos votos, o que dificulta essa clarificação», afirmou.
O dirigente socialista adiantou ainda que irá acompanhar a noite eleitoral no Largo do Rato, em Lisboa, reunido com o Secretariado Nacional do PS, e que fará uma declaração política às 21h00.
Mais de 11 milhões de eleitores são hoje chamados a escolher o novo Presidente da República, que irá suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, impedido de se recandidatar por ter atingido o limite de mandatos. A eleição conta com 11 candidatos aceites, um número recorde.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Caso um dos concorrentes obtenha mais de metade dos votos validamente expressos, será eleito já hoje chefe de Estado. Se tal não acontecer, realizar-se-á uma segunda volta a 08 de fevereiro, entre os dois candidatos mais votados.
Segundo a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, estavam inscritos nos cadernos eleitorais 11.039.672 eleitores à data de referência de 03 de janeiro, mais 174.662 do que nas eleições presidenciais de 2021.
Deste total, 218.481 eleitores recenseados no território nacional, incluindo o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, inscreveram-se no voto antecipado em mobilidade, que decorreu no passado domingo.
Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.
No boletim de voto constam 14 nomes, incluindo os de Joana Amaral Dias, José Cardoso e Ricardo Sousa, cujas candidaturas não foram aceites pelo Tribunal Constitucional devido a irregularidades processuais.