O romantismo das sessões do cinema ao ar livre remete para hábitos de outros tempos. Até ao final
do mês há filmes e curtas-metragens debaixo das estrelas. O «barlavento» mostra-lhe alternativas culturais aos eventos de verão.
Ao todo serão 25 horas de cinema, exibidas ao longo dos quatro dias, nas diferentes categorias de «ficção», «animação», «documentários», «videoclip» e «cinema do mundo». Falamos do Festival Internacional de Curtas-Metragens (FARCUME), evento que este ano comemora cinco anos de existência. Acontece entre 26 e 29 de agosto nas instalações da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, em Faro.
O cartaz é o mais internacional de sempre. São 200 curtas-metragens, 45 das quais portuguesas, e oriundas de 50 países. Algumas serão apresentadas em estreia nacional e internacional, enquanto outros trabalhos já foram anteriormente exibidos em conceituados festivais de cinema como Cannes, Veneza ou Berlim.
Bruno Lage, diretor do festival, organizado pela FARO 1540 – Associação de Defesa e Promoção do Património Ambiental e Cultural de Faro, disse ao «barlavento» que a cada edição tem havido «um aumento muito significativo de inscrições, o que é um claro indicador do interesse, do prestígio e da curiosidade que o festival tem vindo a despertar neste meio, a nível nacional e internacional».
O FARCUME é este ano reconhecido pela EFFE (Europe For Festivals, Festivals For Europe), entidade que valida festivais empenhados na divulgação das artes, das comunidades e dos valores europeus.
Lage confidencia que esta «é uma distinção importante porque existe um júri internacional que reconhece a nossa qualidade em termos artísticos e culturais. Ao mesmo tempo, reconhece o FARCUME como um evento que se esforça na envolvência das suas comunidades», conclui.
Na sua opinião, o evento representa um bom contributo quer para a cidade, quer para a região, porque «permite aos farenses e a todos aqueles que nos visitam, ter acesso e passar a conhecer um pouco do melhor que se faz neste tipo de cinema, fora da linha comercial».
Os objetivos estão bem definidos: «procurar, dentro de um ambiente informal, bem-disposto e descontraído, premiar e reconhecer a dedicação, o empenho, a criatividade e o mérito dos realizadores, atores e equipas técnicas que sem terem os orçamentos da indústria cinematográfica de Hollywood executam excelentes trabalhos. E por outro lado, dar a conhecer filmes que ainda são desconhecidos por parte do grande público». Os ingressos para os quatro dias de festival terão um custo de oito euros, e os diários de três euros.
Já em Loulé, o cartaz é outro e está na estrada desde o passado dia 17. «Filmes com estrelas» é uma iniciativa de entrada livre e cujo principal objetivo é a divulgação do cinema português. Uma tela de quatro por dois metros vai circular por vários locais do concelho. As primeiras 50 pessoas a chegar terão direito a lugar sentado. Todas as sessões começam pelas 21h30.
Assim, no dia 21 de agosto será exibido «Fados de Carlos Saura», no largo da igreja de Boliqueime. No dia 24 de agosto, passa «O Cônsul de Bordéus», no largo Afonso III, em Loulé. E no último dia, a 27 de agosto, o ciclo fecha com a exibição com «Amália – o Filme» em frente ao centro autárquico de Quarteira.
Manuel Baptista, coordenador do Loule Film Office, disse ao «barlavento» que «o intuito é divulgar o cinema português e aproveitar esta época de verão para mostrar aos locais e emigrantes o cinema nacional. Queremos também levar o cinema onde é mais difícil. As aldeias mais isoladas, como já foi o caso do Ameixial e Alte». Em Loulé e Quarteira, a pensar nos turistas, os filmes deverão ser legendados em inglês.
A organização está a cargo da Câmara Municipal de Loulé através do Loulé Film Office e tem o apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA).
Cinema «sob as estrelas» em Cacela Velha
O ciclo de cinema «Sob as estrelas em Cacela Velha» regressa, em 2015, com duas sessões ao ar livre nos dias 25 de agosto e 1 de setembro, às 22h00.
A «sala de exibição» será o antigo cemitério de Cacela Velha, que abrirá as portas a todos os que, sob as estrelas, quiserem assistir a alguns dos melhores documentários da atualidade.
No dia 25 de agosto será exibido o «O Sal da Terra», uma produção franco-italo-brasileira de 2014, dirigida pelo alemão Wim Wenders e pelo brasileiro Juliano Salgado, nomeada para Óscar de melhor documentário em 2015, que retrata o trabalho e as viagens do fotógrafo Sebastião Salgado.
Já a 1 de setembro será projetado o documentário «Volta à Terra», de João Pedro Plácido, onde se narra a história de uma comunidade em extinção: camponeses que praticam agricultura de subsistência numa aldeia das montanhas do norte de Portugal esvaziada pela emigração.
O ciclo cinema «Sob as estrelas em Cacela Velha» é organizado pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António / Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela e conta com a colaboração do Cineclube de Faro. O custo da entrada é de 2,50 euros (livre para residentes em Cacela Velha).