Mário Daniel, apresentador do programa «Minutos Mágicos» exibido pela SIC, não hesita quando explica ao «barlavento» que «a aprendizagem da magia, hoje, é muito mais fácil» do que quando se iniciou nesta arte. «É preciso que haja acima de tudo paixão», para dar vida a inúmeros truques que fascinam miúdos e graúdos.
É seguindo esta premissa que o mágico consegue encher, de novo, o Teatro Municipal de Portimão com o seu espetáculo «Fora do Baralho», num sucesso que se repete depois da sua estreia neste palco, há dois anos.
«Estivemos cá uma vez no inverno, em época baixa, e correu muito bem. Quase esgotámos a sala», relembra. Por isso, resolveu «voltar no verão, explorando um mercado diferente» e aproveitando o público residente no Algarve, mas também os turistas que enchem a região nos meses estivais. Uma temporada «de quase 20 espetáculos no mesmo teatro», disse ao «barlavento».
Quando veio pela primeira vez, Mário Daniel já era conhecido. Estava a ser exibida a segunda série do programa «Minutos Mágicos» em horário nobre. Agora, dá vida a um espetáculo realizado em moldes muito distintos, daquilo a que os espetadores estavam habituados a ver na televisão.
«É diferente», confirma. O programa que apresentou baseava-se na «proximidade com as pessoas na rua. Enquanto este espetáculo é teatro, que enche o palco, não só pela magia que faço, mas pela própria cenografia que é incrível», diferencia.
A produção é «gigante», demora dois dias a montar, para oito pessoas em palco. Motivando o público a ir ver «Fora do Baralho», Mário Daniel garante que «vale mesmo a pena, pois mistura teatro, magia, comédia».
A verdade é que o mágico, a julgar pelo assédio dos fãs durante a sessão de autógrafos, na inauguração do Festival da Sardinha, na zona ribeirinha de Portimão, na semana passada, voltou a colocar a magia na moda.
«A televisão tem muita influência no que as pessoas fazem, no que gostam de fazer. Tem um poder imenso», sublinha.
Houve uma altura em que Luís de Matos era uma presença assídua no pequeno ecrã, levando muitos a interessarem-se pela magia, mas nos últimos dez anos, passou a ser um tema que pouco marcou o imaginário dos portugueses.
De facto, «o Luís esteve quase dez anos sem estar na televisão e depois surgi eu com os meus programas. Portanto, a magia voltou a estar na vida das pessoas, pelo menos de uma forma mais frequente. Penso que tal como o Luís, neste momento, estou a quebrar muitas barreiras».
E a abordagem na rua acaba por ser o principal feedback do sucesso deste profissional. «Na rua, na praia, em todo o lado, pedem para fazer um truque. Umas vezes dá, outras não. Depende da pressa que tenho, mas tento ser o mais simpático que consigo para com as pessoas que apreciam o meu trabalho», confidenciou ao «barlavento» numa entrevista marcada pela boa disposição do mágico.
Quanto ao aprender os truques, Mário Daniel considera que a magia está mais acessível. «Hoje, a internet fornece imenso material, como dvds, livros. Também tenho caixas de iniciação à magia, à venda nos hipermercados e, agora no teatro enquanto decorre o espetáculo, sendo uma forma de iniciar a aprendizagem. É um kit para qualquer pessoa», resumiu. Mas há um ingrediente essencial para ter sucesso que não pode ser comprado. Mais do que o dom, será a paixão.
«É como qualquer arte. Uma pessoa quer aprender dança, música, não é tendo duas aulas», que consegue, argumenta. «Tem que ter paixão. Quem se dedica, seja à magia, seja a outras áreas como a música, pode aprender. Não há ninguém que se estiver com uma guitarra durante 500 horas não aprenda algo», conclui.
Agora, resta ver a paixão de Mário Daniel em palco, que estará no Teatro Municipal de Portimão, de quinta-feira a sábado, às 21h30, até dia 29 de agosto.