Tem por título «Medronho Todos os Dias (Unedo Omnes Dies)» e tem a estreia mundial marcada para terça-feira, 24 de outubro, às 16h15, no Cinema São Jorge (sala Manoel de Oliveira), integrado no DocLisboa 2017 – Festival Internacional de Cinema.
Trata-se de um trabalho conjunto de Silvia Coelho (realização e montagem) e Paulo Raposo (realização e direção de som), que irá concorrer na secção competitiva «Verdes Anos», sendo também candidato ao prémio INATEL.
Esta produção independente acompanha o saber do processo de produção da aguardente de medronho e a sua presença por toda a região, através da voz (e do corpo) dos destiladores artesanais.
As filmagens decorreram durante um ano, nas regiões de Monchique e Marmelete, de modo a captar as diferentes fases de produção da aguardente de medonho – desde a colheita do fruto (entre setembro e novembro) até à destila do mesmo (entre janeiro e março), culminando na celebração coletiva, presente no final do documentário através da matança do porco e da espontaneidade do Grupo Coral da Confraria do Medronho.
Aliás, o mote em latim Unedo Omnes Dies é precisamente o lema da Confraria do Medronho «Os Monchiqueiros», que promove e divulga a cultura deste fruto, não apenas na sua relação com a produção da aguardente, mas sobretudo na ressonância da riqueza cultural que lhe é associada.
O filme não tem pretensões de ilustrar as especificidades inerentes à fabricação, e centra-se na experiência individual e mundividência de cada destilador. É através de cada visão individual que os realizadores procuram encontrar «uma ligação profunda a uma herança coletiva e comunitária partilhada». «O seu isolamento na serra e o seu paciente labor revelam uma noção particular do tempo e esforço inseparáveis do enraizamento ancestral deste conhecimento empírico», justificam.
Ao longo de 53 minutos, este documentário conta com a participação de Joaquim Valério, Joaquim Arracha, Joaquim Teixeira, José Viana, Leonilde Viana, José da Silva, José Rosende e do já referido Grupo Coral da Confraria do Medronho «Os Monchiqueiros»
Este ano, a 15ª edição do Doclisboa decorre de 19 a 29 de outubro. É um certame dedicado ao cinema documental e aos novos e possíveis caminhos que se abrem para o género.
Os autores
Silvia Coelho é formada em Comunicação Social e Cultural pela Universidade Catolica Portuguesa (2009) e especializada em Pós-produção Audiovisual pela Restart (2010).
Frequentou o curso de vídeo da ARCO. em Lisboa (workshop de verão, 2006) e o workshop de Argumento e Realização para TV e Cinema das Oficinas do Convento (Montemor-o-Novo, 2012).
Em 2013 frequentou o primeiro semestre do mestrado em Film Studies, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.
Recentemente foi assistente pessoal da escritora e realizadora Cláudia Clemente e assistente de Pós-produção na Fado Filmes.
Colaborou com duas alunas do programa de Mestrado Internacional DocNomads, da Universidade Lusófona Portuguesa (20015/20016) no apoio à produção e captação sonora.
Paulo Raposo tem desenvolvido o seu trabalho na área da arte sonora desde início dos anos 1990, onde se interseta performance, vídeo, instalação, gravação, rádio e publicação.
O seu trabalho circula e e reconhecido internacionalmente no dominio da arte intermedia com incidência no uso de tecnologias interativas de som e imagem, tendo publicado cerca de 25 peças em disco e recebido o prémio Bolsa Ernesto de Sousa pela Fundação Calouste Gulbenkian e varias residências como a Nordic Air.
Privilegiando as múltiplas relações entre processos digitais e fenómenos acústicos, entre espaços arquitetónicos e o ato da escuta, Raposo emaranha paisagens sonoras ressonantes de delicadas circulações e afinidades eletivas.
Apresentou trabalhos – desde performances a instalações- na Europa, Estados Unidos e Israel. No campo da Arte Radio as suas peças foram transmitidas na Kunstradio (Áustria), DWR (Alemanha), Resonance.fm (Londres) ou Antena2, entre outras.
Foi cofundador e diretor das associações Granular e Binaural entre 2002 e 2006, dedicadas a produzir e promover pesquisas de arte experimental, e do Radialx – Radio Art Festival – entre 2008 e 2012.
Foi ainda produtor executivo dos programas AIA – Artes, Ideias, Academia – e EVA – Exclusão como Valor acrescentado – no Clube Português de Artes e Ideias e Programa Escolhas.
Foi docente no programa de pós-graduação do Brooklyn College em Performance and Interactive Media Arts na Fundação Calouste Gulbenkian e tem concebido vários workshops e seminários sobre arte sonora, video art, e programação na aplicação de novas tecnologias para fins artísticos.
Desde 2001 que dinamiza a «Sirr», uma editora discográfica que tem por objetivo promover e divulgar a arte sonora de carácter inovador, nacional e internacional, tendo publicado cerca de 32 CDs que mereceram a aclamação da critica especializada. É ainda curador para a Radia.fm – Rede internacional de Rádios (menção honrosa na Ars Electronica).



