Publicação resulta de um diálogo entre especialistas e aborda as principais temáticas da candidatura de Faro2027 a Capital Europeia da Cultura.
Chama-se «Faro207, E agora?» e é «uma coletânea de textos de especialistas nacionais e internacionais que, conosco, refletiram nos últimos meses sobre o que é ou o que poderia ser uma Capital Europeia da Cultura. Em determinada altura, percebemos que a quantidade e a qualidade dos textos não poderia ficar fechada nas nossas pastas e que este conhecimento deveria ser partilhado», começou por justificar, no uso da palavra, Bruno Inácio, coordenador da equipa de Faro2027, na quinta-feira, dia 24 de fevereiro, no Mercado Municipal de Olhão.
Ao barlavento, o responsável detalhou que o conteúdo da obra há muito que começou a ser debatido. Começou com um largo processo de auscultação pública, que recolheu mais de 3000 contributos, com o objetivo de se perceber o que mais e o que menos os munícipes gostam na cidade.
«Com isso, definimos um conjunto de largas temáticas importantes. Pedimos a um conjunto de especialistas internacionais que as olhassem com uma perspectiva de fora [do Algarve] para dentro. Após essas reações, pedimos a um conjunto de investigadores e professores, sobretudo ligados à Universidade do Algarve (UAlg), para fazerem o oposto, olharem de dentro para fora. Foi esse diálogo escrito que definiu as temáticas centrais da candidatura», disse.

E que temáticas são essas? O também chefe da divisão de cultura da Câmara Municipal de Faro explicitou. «Sobretudo a ideia da cultura e da criatividade, mas fala sobre quatro grandes áreas. A primeira, é a posição geográfica do Algarve, a ligação ao Atlântico, ao Mediterrânico e ao sul da Europa. O segundo tema tem a ver com as alterações climáticas e o terceiro com o turismo e os problemas laborais associados a esse sector. O último reflete sobre as questões do espaço público e de que forma é que esse mesmo espaço, seja físico ou digital, pode ser construído num destino turístico».
Questionado pelo barlavento sobre qual o objetivo de compilar os textos num livro e torná-lo público, Bruno Inácio afirmou que são vários.
«Uma vez que a candidatura tem sido, desde o início, muito transparente, achámos que devíamos partilhar o conhecimento que foi gerado neste processo. É também um contributo para pensar o Algarve no futuro. Além disso, e ao mesmo tempo, é uma ferramenta para a candidatura e para conceptualizá-la».
Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, salientou que a génese da candidatura não se cinge ao concelho farense, mas abrange toda a região.
«Desde o início que o repto foi lançado aos 16 municípios para que pudessem estar associados ao desenvolvimento do projeto. Espero que, independentemente de virmos a ser capital ou não, que consigamos e possamos continuar este trabalho de desenvolver a cultura e de nos aproximarmos dos outros». O autarca assegurou que mesmo que o resultado não seja o mais favorável, «tenho a completa convicção de que este mote não irá parar em termos de sinergias com os outros concelhos que, até hoje, já conseguimos granjear».

Na qualidade de presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) e anfitrião, o edil olhanense António Miguel Pina mostrou-se «muito contente por se terem lembrado de fazer este momento aqui. Este desafio de Faro é entendido pelos municípios da região como um desafio do Algarve».
Olhão será «uma mais-valia enorme se Faro vier a ser reconhecida como uma das cidades europeias da cultura. Não só por aquilo que representa para a região, mas certamente porque terá uma repercussão tremenda no território».
Pina pediu para que «saibamos ultrapassar aquilo que são os movimentos contrários das nossas cidades, e centrarmo-nos naquilo que é essencial, a partilha deste território fantástico que é a Ria Formosa e esta região com uma cultura, hábitos e movimentos sociais e económicos muito próximos. Que as nossas diferenças residam apenas na parte desportiva. Quanto ao resto, temos um caminho comum para fazer», sublinhou.
O livro «Faro 2027, E agora?», publicado em português e inglês, contou com a coordenação de Andreia Fidalgo, doutorada em História, do arquiteto paisagista Gonçalo Duarte Gomes e de Tiago Prata, gestor cultural com experiência em mais de 25 países da Europa e do Médio Oriente.

A distribuição do livro é gratuita, podendo o mesmo ser encontrado no Museu Municipal de Faro e na Câmara Municipal de Faro.
Em relação ao processo da candidatura, Faro vai apresentar a sua proposta a um júri na quarta-feira, dia 9 de março, onde dois dias depois se saberá quais as cidades, entre as 12, que prosseguem para a segunda fase.
Os autores
O livro «Faro2027, E agora?» possui artigos de: Alexandra Gonçalves, Alexanda Teodósio, Greg Richards, Goran Tomka, Joana Lucas, João Filipe Marques, João Pedro Bernardes, João Peixoto, Jone Belausteguigoitia, Junaid Sarieddeen, Luís Filipe Oliveira, Luís Miguel Nunes, Manuela Rosa, Michal Hladký, Mike Vaan Graan, Mirian Nogueira Tavares, Pascal Gielen, Ragnar Siil, Raquel Carvalheira e Saúl Neves de Jesus.