No âmbito das comemorações do 50.ª da Revolução dos Cravos, o Teatro das Figuras, em Faro, apresenta o ciclo «Cravo, Palavra e Melodia».
Este programa multifacetado é composto por um ciclo de quatro debates e um concerto especial. Os debates reunirão poetas, pensadores e performers em diálogo sobre as vivências nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) antes e depois do 25 de abril de 1974.
O primeiro debate decorre no dia 19 de setembro pelas 19h00 no Club Farense, em Faro, sob o título «A outra face do homem: Uma leitura das cartas de Amílcar Cabral».
No ano em que se celebra também o centenário de Amílcar Cabral, as cartas escritas entre 1946 e 1960 pelo histórico líder das independências de Cabo Verde e Guiné-Bissau, Amílcar Cabral, à sua mulher, Maria Helena – compiladas e organizadas em livro pela sua filha, Iva Cabral, juntamente com os editores Márcia Souto e Filinto Elísio, inspiram uma performance literária encenada por Nádia Yracema, Joãozinho da Costa, Ana Valentim e Matamba Joaquim.
«Nestas cartas, testemunho de um amor resiliente, desenha-se o mapa de uma era em ebulição, revelando-nos a face oculta do homem por detrás da lenda e os desafios da utopia pan-africanista. E que figura emerge desta troca de correspondências? Um ser de carne e espírito, um coração que pulsa com o ritmo do amor, que sangra com as dores do seu povo e que sonha com horizontes ainda por conquistar. Eis um revolucionário cuja essência transcende fronteiras, um filho de África que se torna pai de todos os que anseiam pela liberdade», informa o Teatro das Figuras.
Serão analisados os contextos sociais, políticos e culturais que precederam a revolução, oferecendo assim uma perspectiva única sobre o impacto duradouro deste marco histórico na luta pela liberdade, independência e autodeterminação dos povos lusófonos.
Sob a direção artística do músico e escritor Kalaf Epalanga, o evento culminará com um concerto único que celebrará o legado musical do compositor guineense José Carlos Schwarz, fazendo desta performance um tributo vibrante à diversidade e à resiliência das nações unidas pela língua portuguesa, destacando o poder da arte como instrumento para valorizar e perpetuar os ideais de liberdade e democracia.