O comissário Paulo Pires Vales esteve em Albufeira para conhecer os projetos artísticos dos três agrupamentos do concelho que estão a ser desenvolvidos ao abrigo do Plano Nacional das Artes.
Os três agrupamentos escolares do concelho apresentaram, no passado dia 7 de março, os projetos artísticos que estão a ser desenvolvidos ao abrigo do Plano Nacional das Artes, cujo horizonte temporal é de 2019 a 2029, na presença de José Carlos Rolo, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, de Cláudia Guedelha, vereadora da Educação, e de Paulo Pires Vale, comissário do Plano Nacional das Artes.

«A educação pode ser feita de diversas formas e é importante que isso aconteça para que o aluno tire um maior proveito da informação que adquire. É importante tirar os alunos das quatro paredes da escola e levar a sua expressão artística para o seio da comunidade concelhia», referiu José Carlos Rolo, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Albufeira, onde decorreu este encontro de duas horas.
Por sua vez, Cláudia Guedelha expôs o seu entusiasmo quanto ao Plano Nacional das Artes, salientando que «os alunos têm em si uma riqueza e um potencial extraordinário e estamos conscientes de que temos que facilitar a expressão de toda essa potência, com vista não só à sua felicidade, como também para abrir um caminho exploratório para uma carreira quer curricular, quer profissional».
Satisfeito se afirmou o comissário do PNA após ter tomado conhecimento do que se está a processar artisticamente nas escolas de Albufeira.
É sua convicção de que «não vai mudar nada na escola, se não se mudar na comunidade», pelo que as artes, que não são «para enfeitar a vida, mas para estruturar e alterar a vida», consubstanciam a capacidade de alterar a sociedade.
«Culturas distintas para uma mudança relevante», referiu aquele responsável, acentuando que «precisamos valorizar tudo o que existe no território» na construção de uma verdadeira «democracia cultural», a partir da «valorização da autonomia» dos jovens artistas, concedendo lhe a «possibilidade de participar na vida da comunidade».
Os agrupamentos escolares fizeram-se representar pelos seus órgãos de gestão, bem como pelos coordenadores do projeto e respetivos artistas residentes.
Pelo Agrupamento de Escolas de Albufeira Poente, Fernanda Lamy, coordenadora, apresentou o projeto que se encontra a decorrer e de «como é difícil sensibilizar os alunos para a arte», pelo que o projeto tem tomado várias frentes. Em processo está o trabalho «Jardins de Abril», pelo artista residente Luís Augusto Martins (área do teatro e comunidade e performance), o qual inclui a construção de uma caixa de «teatro lambe-lambe» a partir de uma proposta dramatúrgica elaborada após recolha de diversos depoimentos.
O artista vê nesta intervenção que ressuscita a tradição bonecreira uma «semente de democracia cultural».
Pelo Agrupamento de Escolas de Albufeira, Carlos Padilha, coordenador, salientou a dificuldade que existe também para sensibilizar os professores, mas que já existe uma equipa para propor formação na área das artes aos docentes, no sentido de, entre outros objetivos, «promove a consciência de que todos podem ser produtores culturais».
O artista residente é Mateus Verde (artes musicais e plásticas) que está a laborar no projeto que intitulou «Floresta de Prata», cujo processo parte das histórias contadas pela avó até à problemática dos objetos numa abordagem sonora e visual por meio da instituição.
O projeto «Circolar» é da autoria de Marina Simões (teatro e comunidade e educação), artista residente do Agrupamento de Escolas de Ferreiras.
A coordenadora do Plano Nacional das Artes deste agrupamento, Fátima Mártires vincou a dificuldade em sensibilizar a comunidade educativa para a importância das artes, ao passo que Marina Simões revelou que a área central do projeto são as artes circenses por se tratar de um território criativo que implica «muita repetição e muita frustração», com vista à construção da criatividade, autonomia e sentido crítico.
«A vida como obra de arte, na medida em que somos um conjunto de valores e virtudes e de já não ser importante estabelecer se os alunos vão ser isto ou aquilo», norteia uma das ideias associadas ao seu projeto.
Foi «uma manhã riquíssima de aprendizagens», apontou no final Paulo Pires do Vale, frisando a importância de ser criar uma rede de relações entre agrupamentos e instituições e de manter a tónica do «prazer e da alegria» nos processos criativos.
No final, houve uma merenda cuja base foram os doces tradicionais do campo elaborados a partir dos produtos locais.
