Idosos e doentes devem usar máscaras cirúrgicas.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) não recomenda o uso obrigatório de máscaras respiratórias (FFP2) ou a proibição de máscaras comunitárias (de tecido), mas aconselha idosos e doentes a utilizarem máscaras cirúrgicas em espaços frequentados.
«As provas científicas muito limitadas relativas ao uso de máscaras respiratórias na comunidade não apoiam o seu uso obrigatório em vez de outros tipos de máscaras faciais» defende o ECDC num relatório divulgado hoje, segunda-feira, 15 de fevereiro.
No documento de atualização sobre as recomendações para máscaras faciais em altura de pandemia, o ECDC não se manifesta contra as comunitárias, dizendo antes que «em áreas com transmissão comunitária da COVID-19, recomenda-se o uso de máscara facial médica ou não médica em espaços públicos fechados […] ou em ambientes exteriores frequentados».
Já recomendado por este centro europeu é que cidadãos suscetíveis de ter uma doença severa relacionada com a COVID-19, como idosos ou pessoas com outros problemas de saúde, usem «máscaras faciais médicas como meio de proteção pessoal nos cenários acima mencionados», isto é, espaços frequentados.
A agência europeia de saúde pública sugere também o uso de máscaras cirúrgicas no seio de agregados familiares em que existam «pessoas com sintomas de COVID-19 ou que testaram positivo», tanto para estas como para os restantes membros do agregado.
A posição do ECDC surge depois de, face às novas variantes do SARS-CoV-2, países europeus como França ou Alemanha terem imposto a utilização de máscaras cirúrgicas ou FFP2, com maior capacidade de filtragem de partículas, em locais como transportes públicos e lojas, proibindo as máscaras comunitárias (fabricadas de forma artesanal) que não tenham várias camadas de tecido.
No relatório hoje divulgado, a agência europeia adverte mesmo para as «dificuldades em assegurar a adequada adaptação e utilização em ambientes comunitários» das máscaras FFP2, bem como para os seus «potenciais efeitos adversos relacionados com uma menor respirabilidade».
Ainda assim, em termos gerais e «com base na avaliação das provas científicas disponíveis, nenhuma recomendação pode ser feita sobre o uso preferencial de máscaras faciais médicas ou não médicas [comunitárias] na comunidade», insiste o ECDC.
Este centro europeu que tem vindo a aconselhar os países da UE na atual crise sanitária, adianta que, no caso das máscaras comunitárias, «é aconselhável que se dê preferência a máscaras que cumpram as diretrizes disponíveis para a eficácia da filtração e respirabilidade», ou seja, que sejam feitas com múltiplas camadas de tecido (duas a três).
O ECDC contextualiza que a utilização de máscaras faciais «deve complementar e não substituir outras medidas preventivas, tais como distanciamento físico, permanência em casa quando doente, teletrabalho se possível, etiqueta respiratória, higiene meticulosa das mãos e evitar tocar no rosto, nariz, olhos e boca».
No início deste mês, a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, disse, em conferência de imprensa, que o ECDC «não apoia o uso de máscaras de proteção FFP2» contra a covid-19 pelo grande público.
Stella Kyriakides, que surgiu na altura com uma máscara FFP2 «por coincidência», sublinhou que o importante é «continuar a encorajar todas as pessoas a usarem máscara, a usarem-na corretamente, e a manter o distanciamento social».
A pandemia COVID-19 provocou, pelo menos, 2.400.543 mortos no mundo, resultantes de mais de 108,7 milhões de casos de infeção.