Casas antigas sem renovação energética são mais comuns entre famílias em risco de pobreza e revelam desigualdades nas condições habitacionais em Portugal.
Mais de metade das habitações familiares construídas antes de 1960 não sofreram obras de renovação para melhorar a eficiência energética e 30,1% das casas anteriores a 1945 são ocupadas por famílias em risco de pobreza, indicou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
As conclusões resultam de um inquérito realizado em 2025 pelo INE, hoje divulgado, que avalia as condições de vida e rendimento dos cidadãos nas áreas da energia e do ambiente.
Os resultados indicam que «mais de metade dos agregados familiares residentes em alojamentos construídos antes de 1960 (54,7%) referiram não ter havido qualquer renovação visando mais eficiência energética apesar de ser necessária».
Por contraste, «mais de um quinto das famílias residentes em alojamentos construídos após 2015 (21,6%) beneficiaram de pelo menos uma medida de renovação com vista à melhoria da eficiência energética», refere a síntese estatística do inquérito.
Ao mesmo tempo, «os agregados familiares em risco de pobreza ocupavam 30,1% dos alojamentos construídos antes de 1945 e 11,4% dos alojamentos construídos após 2015».
Segundo o INE, o custo financeiro é o motivo mais apontado pelas famílias para não renovarem o que consideram necessário na habitação, sendo também a razão mais referida pelos agregados em risco de pobreza.
Esse motivo é indicado por 90,1% dos agregados familiares mais pobres, em comparação com 77,9% da população que vive acima do limiar de pobreza (8.679 euros).
«A população em risco de pobreza revelou ter sido mais afetada por danos causados à habitação por causas ambientais ou meteorológicas: 7,5% (6,9% para as pessoas que vivem acima do limiar de pobreza)», refere o INE.
O instituto especifica que «os danos desta natureza afetaram mais os residentes em áreas urbanas (7,7% nas áreas predominantemente urbanas e 6,6% nas áreas mediamente urbanas) em comparação com as áreas rurais (6,0%)».
O INE acrescenta que «a condição de pobreza também se revela diferenciadora das condições habitacionais».
«As taxas de sobrelotação e de privação habitacional severa nas famílias com crianças eram cerca de quatro vezes superiores às dos agregados sem crianças».
A taxa de sobrecarga das despesas em habitação da população em risco de pobreza «era mais de oito vezes a taxa observada na restante população», com valores de 24,4% entre os mais pobres e de 2,9% nos restantes.
Apesar disso, «90,1% dos agregados familiares em risco de pobreza revelavam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o alojamento», indica o instituto.
Relativamente ao ambiente, os resultados do inquérito «sugerem que os agregados familiares com crianças valorizam mais a proximidade a espaços verdes públicos».
«Em 2025, 44,9% das famílias sem crianças residiam a menos de 400 metros de um espaço verde público, com a proporção a aumentar para 47,0% para as famílias com crianças. Mais de metade dos indivíduos de famílias compostas por dois adultos com três ou mais crianças residiam a menos de 400 metros de um espaço verde público».
O inquérito questionou também as famílias sobre a separação de resíduos. Os resultados mostram que «72,7% dos agregados familiares indicavam separar sempre ou quase sempre embalagens de plástico como garrafas, garrafões ou frascos do lixo doméstico geral».
Outra conclusão é que «mais de 90% dos indivíduos pertencem a famílias cujo automóvel de uso particular mais recente é movido a gasóleo ou gasolina», enquanto 4,0% têm automóveis híbridos e 3,4% veículos elétricos.
O estudo indica ainda que «um quarto da população (25,6%) relatava ter efetuado pelo menos uma viagem de avião na Europa nos últimos 12 meses, para fins particulares ou profissionais». Para fora da Europa, a proporção é menor, situando-se nos 9,3% da população.
Foto: Bruno Filipe Pires