AIE alerta que mundo enfrenta maior ameaça energética da história devido à guerra no Irão e à interrupção de fluxos de petróleo e gás no golfo Pérsico.
O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE) advertiu hoje que o mundo enfrenta a maior ameaça energética da história devido à guerra no Irão e alertou que poderá levar até seis meses para restabelecer os fluxos de petróleo e gás do golfo Pérsico.
Numa entrevista ao Financial Times (FT) publicada hoje, o diretor da AIE, Fatih Birol, afirmou que os políticos e os mercados estão a subestimar a magnitude da interrupção nos fluxos energéticos, uma vez que cerca de um quinto das reservas está paralisado na região.
«Algumas instalações levarão seis meses para estarem operacionais, outras muito mais», acrescentou.
«As pessoas entendem que isso representa um grande desafio, mas não tenho a certeza de que se compreenda bem a magnitude e as consequências da situação», afirmou Birol, acrescentando que a crise também afetou o fornecimento mundial de fertilizantes para culturas, produtos petroquímicos para plásticos, roupa e manufatura.
«Trata-se de matérias-primas vitais para a economia global», sublinhou.
As declarações de Birol surgem numa altura em que o preço do petróleo Brent superou os 110 dólares por barril, após ataques com mísseis esta semana contra centros energéticos vitais, como o campo de gás South Pars, no Irão, e o complexo Ras Laffan, no Qatar.
Na semana passada, a AIE anunciou a libertação de 400 milhões de barris de petróleo e produtos refinados das reservas mundiais para aliviar a escassez global, o que, segundo Birol, representa apenas 20% das reservas.
«A medida mais importante é a retoma do trânsito pelo estreito de Ormuz», afirmou.
Birol apontou ainda que a crise energética poderá desencadear mudanças políticas em governos de todo o mundo e comparou a situação com as crises do petróleo de 1973 e 1979.