Casa Dona São, em Silves, combina comida de tacho, fado e receitas tradicionais num espaço inspirado nas memórias e sabores familiares.
A Casa Dona São abriu em setembro último, em Silves, e já conquistou notoriedade pela aposta na cozinha tradicional portuguesa, servida num ambiente familiar e acolhedor.
Localizado na zona histórica da cidade, o espaço propõe uma experiência centrada na comida de tacho, com uma abordagem contemporânea e criativa do chef Apolino Mendes, conhecido como chef Lino, que, em conjunto com a parceira Raquel Marrachinho, criou um espaço onde todos são bem-vindos.
«Um tributo a todos os avós portugueses e famílias que passam bons momentos, adoram comer bem e valorizam pequenos prazeres», descreve o casal.
Inspirado num livro antigo de receitas da avó de Raquel, Dona Conceição, o chef Lino dá a provar aos clientes sabores que marcaram a sua infância.
O nome do restaurante homenageia a avó São, recordada por Raquel como «cuidadora, matriarca e animada». O espaço ocupa um antigo restaurante de comida portuguesa, aberto pela primeira vez em 1973 e conhecido na comunidade local.
Com a percepção de que a essência da cozinha tradicional tem vindo a perder expressão, os proprietários apostaram num conceito que preserva a cultura, o património gastronómico português, suscita memórias e evoca saudade.
Não só através da gastronomia, mas também da música. Na Casa Dona São aprecia-se Fado, património cultural da humanidade, reforçando a identidade do espaço.
«Nada faria mais sentido», refere o casal, ao definirem o restaurante como uma verdadeira casa portuguesa.
A intenção passa por fugir à sensação de «passagem» e criar um ambiente onde os clientes se sintam confortáveis e experienciem «plenitude e vontade de permanecer, tal como sentimos nas nossas casas», explica Raquel.
Por esse motivo, a cozinha está sempre em funcionamento, aproximando-se da lógica de uma casa familiar, sem horários rígidos. Também a proximidade com a vida local promove um espírito de união e empatia com os residentes que os visitam.
«Levantamo-nos cedo e acompanhamos de perto a vida da comunidade, desde o pequeno-almoço ao jantar», acrescenta.
Na Casa Dona São há doces e salgados, tradicionais da pastelaria e charcutaria do país. Porque «tudo o que é português é bom», justifica o chef Lino Mendes, que começou a cozinhar aos 13 anos e aos 23 percebeu que esse seria o seu caminho profissional. Optou por uma carta que enaltece os produtos locais e sazonais, com foco na qualidade e frescura.
«É a combinação da aprimoração de várias receitas que concebi ao longo do tempo, outras fruto de ideias nossas e algumas com ajuda da própria Dona Conceição,» revela o chef, de 32 anos.
Diariamente, Apolino Mendes apresentada três pratos diferentes e um especial, que altera semanalmente. O objetivo é o de surpreender os clientes, mas também estimular a sua criatividade.
Entre as sugestões destacam-se o bife do lombo com molho de cebola, os croquetes Dona São e as pataniscas de polvo. A carta de vinhos privilegia produções nacionais, com destaque para referências do concelho de Silves, de onde o chef é natural.
Depois de concluir os estudos como Empregado de Mesa e Bar de primeira no IEFP, em Portimão, e Cozinheiro de primeira e Pastelaria, na Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão, Lino começou como empregado de primeira no restaurante Atlântico, no Vila Vita Parc, e foi chefe de sala no grupo Details Hotels & Resorts, onde acabou por assumir a cozinha.
Posteriormente, trabalhou como chef de primeira no Salmora — Live Kitchen & Bar, em Vilamoura. Em 2022, integrou a equipa do Gambrinus, no Monte Verde, em Monsanto, e do Belcanto de José Avillez, distinguido com duas Estrelas Michelin.
Um ano mais tarde, abriu o Do Avesso, em Albufeira, e dois anos depois mudou-se para Cannes, onde foi sous chef no La Flibuste, também com uma Estrela Michelin.
Seguiu-se uma temporada a trabalhar nos cruzeiros e como chef privado e, em agosto, decidiu regressar ao Algarve para construir um futuro ao lado de Raquel, natural de Faro, formada em Técnica de Maquilhagem, Caracterização e Eventos de Cinema, em Lisboa, com experiência em atendimento ao público, gestão e design.
A Casa Dona São abriu portas um mês depois, com duas mentes criativas entusiasmadas por abraçar um novo projeto. Para os ajudar, convidaram Vicente, amigo de longa data de Lino, também com um percurso profissional na área da restauração.
Agora, o chef Lino focado em «marcar a diferença e poder fazer, dia após dia, algo cada vez mais relevante», reconhece que Raquel «tem sido uma parte fundamental do projeto» e quem mais o motivou. «Onde há amor, dinâmica e ambição resulta na receita perfeita», assegura
Raquel partilha a mesma visão: «quando se junta uma mente focada na gestão e outra na cozinha, tem tudo para dar certo».
É ela a responsável pela pintura do mural de azulejos do espaço, inspirados na tradição nacional, ao qual dedicou dias a fio, e que também pretende evocar para uma casa tipicamente portuguesa.
Os três algarvios garantem que o projeto continuará a evoluir, com novas propostas, sustentadas na criatividade e na valorização da identidade portuguesa.
