Novo tema «Nirvana» sai na véspera do concerto «épico» em Faro, que celebrará os 10 anos de carreira dos algarvios Bubba Brothers.
Uma «festa épica» é o que os fãs dos Bubba Brothers podem esperar no sábado, 14 de setembro, no rooftop do Hotel Eva, em Faro, local já habitual no mapa da música eletrónica do Algarve. A música começa a bombar por volta das 18h00, com a DJ Katwerk e o DJ Milk&Sugar, como «convidado especialíssimo».
«Para termos uma ideia, o DJ Milk&Sugar é um indivíduo que tem 205 milhões de streams no Spotify, mais de 600 mil ouvintes mensais», explica Eliseu Correia, frontman dos Bubba Brothers, que também tem estado a trabalhar e a experimentar misturas e alinhamentos novos, para o concerto de aniversário.
«Isto é muito mais que chegar e debitar música, como se fosse magia. Os sets são fruto de milhares de variações ensaiadas, de vários temas, para depois, no dia do concerto, escolher, de entre as múltiplas variações possíveis. No meu caso, não uso playlists digitais gravadas. Ou seja, aquilo que tenho na minha cabeça é aquilo que vou passar», em sintonia com a forma como o público vai reagindo e se envolvendo na música.
Além do cartaz, os fãs vão ter uma prenda, na véspera do aniversário. Na sexta-feira, dia 13 de setembro, sai um novo tema para o mercado, batizado «Nirvana».
E não será a única novidade. Eliseu Correia detalha: «achamos que realmente é uma grande música. E posso anunciar publicamente e como novidade que vamos lançar um EP em outubro ou novembro com três DJs que fizeram uma remistura do nosso tema Hangover».
Os DJs que trabalharam o novo EP são o letónio Ten Walls (Marijus Adomaitis), o alemão Milk&Sugar e o espanhol Frink.
O novo EP, intitulado «Hangover – the remixes tem dois nomes do top mundial a trabalhar o nosso material. Para isto acontecer, primeiro, têm de gostar da música e têm de nos conhecer. Depois é preciso química e termos o prestígio suficiente para se interessarem, porque é o nome deles que fica colado ao nosso. E está melhor que o original», admite.
«Estes profissionais reconhecerem-nos valor suficiente para acharem que podem fazer um remix e estão confortáveis com a situação, é fantástico».
Desafiado a fazer um balanço destes 10 anos, Eliseu Correia resume que «aconteceu o impossível, o improvável, o não expectável. Há várias formas de o dizer, porque tudo começou literalmente numa brincadeira. Até o próprio nome Bubba Brothers é uma brincadeira. Ou seja, nunca em nenhuma circunstância era para atingir a dimensão que tem hoje. Não estou a dizer que não esteja feliz, porque trabalhámos muito para isso».
«Estou radiante. Com tanto DJ que por aí há, e com tanto espetáculo gratuito à nossa volta, sobretudo no verão, as pessoas voltam sempre para nos ver tocar. Já nem encontro palavras, é muito gratificante. Ao fim ao cabo, esta coisa da música, tem tudo a ver com energia. Cria-se uma troca de energia em que o auge é sentir uma reação ao que estamos a fazer. Seja com 500 ou com 50000, é igual. As nossas frontlines são praticamente sempre as mesmas. Há uma tribo, um grupo dedicado de 150 pessoas que foram praticamente a todos os concertos. Numa época como esta, podermos dizer isto, acho que é fantástico», elogia.
E mais. «O público está a crescer, temos seguidores dos 15 aos 70 anos. E há uma nova geração de ouvintes. Não sei se os Bubba Brothers vão ter a capacidade de se reinventar nos próximos 10 anos as vezes suficientes para continuarem a apelativos a esse tipo de público. Mas vamos fazer tudo para que isso aconteça».
Em dezembro de 2023, os Bubba Brothers entraram no catálogo da gigante da música eletrónica Spinnin’ Records, com o EP «Euphoria», que apesar de muito da boa aceitação, não é o predileto de Eliseu Correia. «Euphoria foi um sucesso, mas não considero, muito honestamente, que seja o nosso melhor EP. Alguém ouviu e gostou muito, ainda bem. Oxalá que alguém ouça outras coisas no futuro e goste muito. Acho que é perfeitamente possível», até porque há várias ideias na calha.
Esta temporada, contudo, tem sido algo atípica. O DJ set algarvio formado por Eliseu Correia e Justino Santos, tem sido um «one man show» devido aos compromissos profissionais do segundo elemento.
Algarve precisa de «modernizar» a noite
O concerto de dia 14 de setembro não será o último de 2024, embora Eliseu Correia se escuse a revelar mais pormenores.
«Há muitas coisas a acontecer e se calhar vamos ter mais solicitações durante o inverno. Por norma, aproveitava este período para compor, para atualizar, para rever ideias e para tratar de todo o backoffice. Antigamente, a minha época começava em junho e acabava em setembro. Hoje em dia começa em abril e vai acabar em outubro», ou talvez ainda mais tarde.
No entanto, o DJ e empresário admite que «há 10 anos havia mais casas abertas, muito mais oferta em comparação ao que existe hoje. O mercado não aguentou o impacto da pandemia. Acho que o Algarve, hoje, continua a ter sítios muito bons para a noite. Devia ter mais. Penso que nos falta uma maior cultura e capacidade de nos adaptarmos aos tempos modernos, na forma como se estrutura a noite. Por exemplo, em Espanha, há sítios onde se vai jantar, onde as pessoas podem estar, possivelmente, das 18h00 até às 2h00 da manhã. Falo do Blue Marlin, em Ibiza, onde, depois de um dia de praia, é possível ouvir vários DJs, jantar tarde, relaxar e depois dançar até de madrugada, sem sair do mesmo sítio. Temos dois sítios, mas ainda muito tímidos. Acho que devíamos ter isso com mais qualidade e outro tipo de atrevimento».
Por outro lado, «a noite está muito mais desagradável, confesso. A insegurança é o maior inimigo da noite e acho que tem vindo a crescer. Mas a noite é apenas um reflexo da sociedade. E se olharmos bem, a facilidade com que hoje se entra em atos violentos, por exemplo, no trânsito, com quem se está em desacordo, mostra que a COVID-19 não trouxe ao de cima o melhor do ser humano», lamenta.
Ainda sobre os 10 anos de carreira, Eliseu recorda que «quando saiu a nossa primeira música, em 2019, eu já tinha 50 anos. Todos diziam que era maluco. Agora, vou fazer 57 anos em janeiro próximo» e apenas falta atuar no emblemático Tomorrowland, na Bélgica, o maior evento de música eletrónica do mundo.
«Todos os DJs, além de terem boas músicas, estarem nos tops e fazerem bons concertos, ambicionam tocar em Ibiza. Este será o quarto ano em que já lá toquei. Devo ser dos poucos DJs portugueses de sempre a conseguir fazer algo semelhante. Claro, o Tomorrowland está para a música eletrónica como a final da Champions está para o futebol. Para o mundo inteiro. Tudo farei nesse sentido e acredito que é possível», conclui.


